Eduardo's profileFinlândia em duas semana...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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November 10 Finlândia: A tragédia e o controle de armasA Finlândia sucumbe à solução fácil para as causas da tragédia da escola: controlar a venda de armas de fogo. Como se isso resolvesse o problema. Vemos pela matéria abaixo, da Folha de hoje (10/11/2007), que a venda de armas era liberada para maiores de 15 anos na Finlândia. A moral a se tirar dessa história é esta: durante toda a sua história livre, jovens finlandeses de 15 anos podiam legalmente comprar armas de fogo, fato que fez da Finlândia o terceiro país do mundo em número de armas de fogo por habitante (atrás dos Estados Unidos e do Iêmen), e, no entanto, NUNCA ANTES NAQUELE PAÍS ocorreu uma tragédia como a que acontece agora. Ou seja, o fato de a venda de armas de fogo ser livre para maiores de 15 anos não aumentou os assassinatos nas escolas da Finlândia nem um ponto percentual, porque nunca havia acontecido um antes. Propõe-se agora que 18 anos seja a idade mínima para a compra de armas de fogo. Mas o rapaz que assassinou seus colegas e a diretora da escola tinha mais de 18 anos! Até que ponto vai a insensatez dos políticos? Procuram a chave debaixo do poste, não porque a tenham perdido ali, mas porque ali há mais luz... Em Salto, 10 de Novembro de 2007 Folha de S. Paulo TRAGÉDIA DA REDAÇÃO A Finlândia anunciou ontem que aumentará de 15 para 18 anos a idade mínima para que alguém possa comprar arma de fogo. A decisão foi provocada pela tragédia da última quarta-feira, quando Pekka-Eric Auvinen matou seis colegas e dois funcionários de sua escola, antes de se suicidar. Embora ele já estivesse com 18 anos, o episódio gerou uma discussão sobre limitações. Segundo entidade suíça, só os Estados Unidos e o Iêmen têm mais armas por habitante que os finlandeses. Em Kirkkonummi, sul do país, uma escola entrou em pânico depois de ameaças por e-mail de que nova matança de estudantes estava para ocorrer.
November 08 Finlândia: a tragédia na escolaEu havia dado por encerrado este space sobre a minha viagem à Finlândia. Mas a tragédia na escola de Jokela (em Tuusula, no sul da Finlândia) em que um jovem de 18 anos matou sete colegas, a diretora da escola, e, depois, a si próprio, tudo isso no dia seguinte ao do meu retorno da Finlândia, me fez decidir acrescentar mais um triste capítulo a este blog. Transcrevo abaixo a notícia dada pela Folha de S. Paulo de hoje. Parece, de início, inexplicável -- embora, como em casos semelhantes, especialmente nos Estados Unidos, os detalhes que inevitavelmente irão aos poucos surgindo nos próximos dias certamente removerão, em parte, a inexplicabilidade do caso. Em parte, digo eu, porque dificilmente conseguiremos considerar plenamente explicado um acontecimento como este em que fica evidente que a vida de uma pessoa jovem, num país rico, cuja educação é considerada a melhor do mundo, pode, ainda assim, dar terrível e tragicamente mente errado. Não tenho dificuldade em entender o fato de que alguém queira colocar fim à própria vida. Ainda que como exercício acadêmico, já refleti, várias vezes, sobre que acontecimentos e condições poderiam me levar, um dia, a tomar uma decisão dessas. Não sei se, se concluir um dia que o contexto justifica uma decisão desse tipo, terei coragem de implementá-la. Mas consigo entender, in abstracto, que alguém possa decidir matar-se e implementar essa decisão. A escolha da forma que o suicídio vai tomar revela um pouco da mente do suicida. Há gente que se mata quietinho, tomando uma dose excessiva de remédios, ou ingerindo veneno. Quem os descobre mortos certamente deve levar um choque, mas, de início, o choque não será diferente do que se tem ao se descobrir morta uma pessoa que foi dormir bem -- e que morreu de causas naturais durante o sono. Há gente que escolhe uma forma de suicídio mais teatral. Afogar-se num rio ou no mar andando para dentro da água. Ou jogar-se de uma ponte -- a Golden Gate Bridge de San Francisco parece ser quase irresistível para suicidas assim mais teátricos, a ponto de terem colocado grades na beirada da ponte para impedir que as pessoas saltem para a morte. Há ainda gente que dá tiro na cabeça, salta de prédios, etc., deixando à vista dos infelizes que acorrem ao local primeiro um cenário deprimente, com sangue por todo lugar -- e, por vezes, mais que isso. Há gente que se suicida em público, procurando levar consigo o máximo de pessoas, como os homens/mulheres-bomba, mas que fazem isso por uma causa política. A publicidade e a teatralidade do ato é, neste caso, parte da motivação. Na verdade, a pessoa, na realidade, nem quer se matar por algum problema pessoal que esteja enfrentando: quer causar impacto, quer fazer uma declaração política -- matar os outros e a si próprio no processo é parte dessa declaração política, O que acho difícil de entender são os que, como o rapaz desta história, resolvem se matar em meio a uma grande matança de gente que, aparentemente, nada tem que ver com os suicidas, mas que, a primeira vista, não estão fazendo uma declaração política, ou, se o estão, essa declaração é tão sussurada que poucos conseguem entendê-la. Por que esse gesto de morrer matando, por que não morrer quieto e sozinho num canto, por que morrer fazendo um espalhafato e esparramando sangue? Parece que há, no caso, uma tentativa de fazer algum tipo de declaração. Como no caso recente nos Estados Unidos, que acaba de completar um ano, há vídeos no YouTube, há mensagens na Internet. Mas os vídeos parecem ser meio crípticos. O fundo musical já foi usado em outra tragédia semelhante, em Columbine... Será que os eventos ocorridos em escolas americanas inspiraram -- se é que esse termo é apropriado -- o suicida? O suposto autor dos vídeos declara: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". OK. Há muita gente disposta a fazer isso. Mas qual é a causa??? "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto (segundo a versão da Folha). Mas será que a melhor forma de eliminar "desgraças inaptas" que surgiram como "falhas da seleção natural" é matando gente aleatoriamente, sem vê-las, por detrás de portas fechadas? Morrer fazendo uma declaração e levando outros consigos é até inteligível -- desde que a linguagem da declaração seja inteligível. O árabe que se explode em um shopping center israelense, ou o muçulmano que explode o avião em que se encontra nas Torres Gêmeas fazem declarações políticas que é possível entender, mesmo que seu objeto seja indefensável moral e politicamente. Mas morrer fazendo uma declaração ininteligível é algo difícil de entender. Especialmente quando se trata de uma pessoa jovem que, por mais errado que tenha saído sua vida até aqui, tem, na realidade, pelo menos mais quatro ou cinco dessas vidas pela frente para acertar o que está errado -- até porque vive num país rico economicamente e culturalmente, freqüenta uma escola que é tida entre as melhores do mundo, e tem à sua disposição, na escola, um sistema elaborado de "student welfare" que poucos países possuem -- eu nunca havia ouvido falar de uma instituição desse tipo dentro do sistema escolar: um setor do Ministério da Educação preocupado exclusivamente com o bem-estar do estudante. Vamos ver se, nos dias que seguem, as investigações descobrem evidências que ajudem dar alguma aparência de sentido ao que, no fundo, ficará para sempre sem sentido. Eu, por meu lado, fico com uma pulguinha atrás da orelha. Nos últimos três dias a única música que tenho ouvido é de Jean Sibelius, o maior compositor finlandês da história. As músicas são maravilhosas: as sinfonias, os concertos para violino... Lindas, lindas, lindas -- quase digo "lindas de morrer"... E tristes, tristes, tristes. Até a valsa mais famosa -- e mais linda -- que ele compôs é chamada de Valsa Triste: tristemente linda. Até eu, em regra alegre, fico triste e macambúzio ao ouvi-la. Talvez ficasse até deprimido, se não pudesse olhar para fora e ver o sol brilhando, o céu azul, os flamboyants em flor, os pássaros cantando... -- e se não pudesse, de vez em quando, ouvir um sambinha alegre e malandro. Por fim... fico imaginando se as manifestações das autoridades educacionais finlandesas nos eventos de que participei nos últimos quinze dias seriam, à vista da tragédia, mais reflexivas e menos auto-louvativas do que foram. Ou se elas iriam se auto-elogiar por terem tratado rápida e eficientemente o problema... Em Salto, 8 de Novembro de 2007 Folha de S. Paulo Estudante na Finlândia mata sete colegas e diretora Agressor se suicida; vídeo no YouTube prenunciou massacre na escola Jokela Pistola foi registrada pelo adolescente de 18 anos; 3º país em porte de armas per capita, Finlândia nunca tivera incidentes do tipo DA REDAÇÃO Um adolescente armado que aparentemente postou clipes com ameaças no site YouTube matou ontem sete colegas e a diretora de sua escola em Tuusula, no sul da Finlândia. Dez outras pessoas foram feridas ao tentarem fugir do local. Portando uma pistola .22, o rapaz de 18 anos cuja identidade não foi revelada entrou na Escola Jokela, pouco antes do meio-dia (8h em Brasília), e percorreu classe por classe, atirando, antes de se matar. Com uma bala na cabeça, chegou a ser internado em um hospital local, mas não resistiu. "Ele avançou sistematicamente pelos corredores da escola, batendo nas portas e atirando através delas", disse a professora Kim Kiuru. "Meus alunos gritavam, perguntando o que fazer, e eu lhes disse que saltassem pela janela. Todos se salvaram", contou. Cinco garotos, duas meninas e uma mulher foram mortos, informou Matti Tohkanen, chefe de polícia de Tuusula, cidade de 35 mil habitantes a cerca de 50 km de Helsinque. O agressor, disse, vinha de "uma família comum" e não tinha antecedentes criminais. A arma usada no ataque era legal e fora registrada pelo próprio adolescente no último dia 19. "Quando a polícia chegou, era o caos completo, havia alunos pulando das janelas", disse o inspetor Timo Leppala. A Jokela tem cerca de 500 alunos do ensino médio e fundamental, com idades de 12 a 18 anos. O premiê Matti Vanhanen disse que se trata de "um evento extremamente triste". Vídeo O vídeo no YouTube - tirado do ar - mostrava a foto de um prédio que parecia a Jokela com o rock "Stray Bullet" (Bala Perdida) ao fundo. Em um recurso de edição, a foto se partia e dava lugar à imagem, em vermelho, de um homem apontando uma arma para a câmera. O clipe, intitulado "Jokela High School Massacre - 7/11/ 2007", foi postado por Sturmgeist89. Mensagem do mesmo autor diz: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto. A letra de "Stray Bullet", do KMFDM, já figurou em um site mantido por Eric Harris, co-autor do massacre da escola Columbine, nos EUA, em 1999. Outro clipe postado pelo mesmo Sturmgeist89 mostra um rapaz de jaqueta escura carregando uma pistola e disparando em um bosque. No fim, ele sorri e acena para a câmera. Num terceiro vídeo, há fotos do mesmo garoto com uma pistola e uma camiseta na qual se lê: "A humanidade é superestimada". Até o fechamento desta edição não se sabia, no entanto, se o menino nos vídeos era o mesmo que executou o ataque. Segundo a mídia local, houve quatro esfaqueamentos em escolas do país desde 1999, nenhum deles fatal. Este é o primeiro caso de tiroteio. [Com agências internacionais] November 06 O décimo sexto dia da viagem: 6 de NovembroFinalmente, estou em casa. O vôo ontem à noite atrasou para sair de Washington: em vez de sair às 21h45, saiu às 22h45 -- com uma hora de atraso. Mas chegou aqui com apenas 45 minutos de atraso. Tivemos mais sorte do que os que iriam viajar no outro vôo da United, que sai de Washington quase na mesma hora, mas vai para o Rio de Janeiro. O vôo foi adiado por 12 horas. Se já saiu de lá, deve ter saído por volta das 10 da manhã de hoje. Quando estava chegando a São Paulo, o avião finalmente desceu abaixo das espessas nuvens e eu olhei a paisagem e eis que estava passando por cima de Campinas. Vi que era uma cidade grande, mas o que me permitiu identificar imediatamente foram dois grandes campos de futebol, próximos um do outro: o Moysés Lucarelli, da Ponte Preta, e o Brinco de Ouro da Princesa, do Guarani. A partir dos estádios reconheci o Viaduto Laurão, vi o meu bairro, vi o Shopping Iguatemi, o Carrefour, o trevo de Souzas... Depois fui acompanhando a Anhangüera e, quando as duas se cruzam, a Bandeirantes, até a Marginal do Tietê, momento em que o avião fez uma curva de 90 graus e se dirigiu para Cumbica. Foi muito gostoso ver Campinas lá de cima. Cheando em casa, achei tudo em ordem, tomei banho, almocei, desfiz a mala -- e vim ver meus e-mails. Viagem finda, portanto, e, com ela, este blog. Obrigado aos que me acompanharam. Em Campinas, 6 de Novembro de 2007. November 05 O décimo quinto dia da viagem: 5 de NovembroEscrevo, no momento, aqui do Dulles Airport, em Washington, DC. Não consegui dormir direito a noite passada. Fui dormir por volta das 20h, porque teria de me levantar por volta das 4h da manhã. Mas daí fiquei pensando no que escrever sobre a educação na Finlândia e me levantei, tomei uma cerveja e fiquei escrevendo até concluir e publicar aqui no Space. Depois vi um pouco de TV e acabei cochilando só por volta da 1h da manhã, já hoje. Todos esses horários são de Helsinki (GMT +2). Por volta das 3h acordei e resolvi tomar banho, fazer a barba, e me arrumar. Por volta das 4h30 desci, paguei a conta, e peguei o ônibus das 4h40 para o aeroporto. Lá peguei a mala que havia deixado no guarda-volumes e fui fazer check-in na Lufthansa. Felizmente a loirinha não se invocou com o peso de minha mala, que estava em 36 kg (32 é o limite). Do check-in fui para a lounge da SAS, tomei um café bom com um pão delicioso e umas fatias de queijo e salame. Por volta de 6h30 fui para o portão de embarque e o vôo saiu no horário, às 7h10, lotado. Chegou às 9h30 em Frankfurt, horário local (GMT +1). Aeroporto bagunçado, em reforma, cheguei num terminal e tive de ir embarcar no outro. Achei a lounge da United, fiquei lá um pouco, mas logo chegou a hora de embarcar (11h, local -- 5h, horário de Washington, que era o destino do vôo, que fica GMT -5). O vôo foi tranqüilo, a comida e a bebida no padrão de sempre. Sentei-me ao lado de um funcionário aposentado do Departamento de Estado, que estava voltando de uma missão especial de dois meses, como autônomo, na Jordânia. Conversamos bastante, conversa boa. Cheguei aqui a Washington às 2h, hora local, quase nove horas depois. O vôo demorou mais, por causa do mau tempo e ventos contrários. Estou aqui desde então (depois de passar Imigração e a Alfândega, naturalmente), na lounge da United. Já conversei com a família e com alguns amigos de Redmond e de Salto.. Mue vôo para o Brasil só sai às 21h30 (são 18h). Ainda vou dar uma voltinha na boa livraria que tem aqui. Gastei meu tempo aqui na lounge convertendo para mp3 os oito CDs de Jean Sibelius que comprei em Helsinki, na Duty Free. Lindos, lindos. Tenho todas as sinfonias que ele fez, mas não me canso de ouvir Finlandia e Valsa Triste -- ambas tristes, mas que causam deleite à alma. Um dos CDs tinha Finladia só orquestrada, o outro com a participação de um coral. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas me lembrando de quando cantava esse trecho coral no orfeão do Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira, SP, sob a regência do Maestro João Wilson Faustini, então meu professor, hoje meu dileto amigo. Estava conversando com o irmão dele, Marcos Cláudio, via Instant Messaging. O Marcos Cláudio era irmão mais novo e estudava também no JMC (ele fazia o Ginásio, eu o Clássico). Não éramos muito amigos na época, mas ficamos depois. Gente muito fina. Estávamos conversando exatamente sobre a Finlandia do Sibelius. Na versão traduzida para o Português que cantávamos o trecho mais bonito dizia: "Descansa oh alma, eis o Senhor ao lado!". Para uma biografia de Sibelius vide a WikiPedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Sibelius Bom... o dia vai chegando ao fim, e a viagem também. Chego amanhã em São Paulo por volta das 10h20 da manhã. Amanhã ainda escrevo um pouquinho para dar um arremate a este Space de viagem. Em Washington, 5 de Novembro de 2007 November 04 A Finlândia e a educaçãoTermino hoje uma estada de basicamente dez dias na Finlândia. Saí do Brasil no dia 22/10, à noite, num itinerário que me levou para os Estados Unidos primeiro e, em seguida, para cá. Cheguei aqui dia 24/10, à noite. Estarei saindo amanhã cedo, devendo chegar no Brasil no dia seguinte, dia 6/11. Vim a serviço da Microsoft. Participei (como já disse neste blog) de quatro eventos: * "Third 'Innovative Teachers Forum'" * "Third 'School of the Future' Summit" * "Second In-Person Meeting of the Schools of the 'Innovative Schools Program'"' * "Meeting of the International Advisory Board of the 'Partners in Learning' Program". Todas as expressões colocadas entre aspas simples são programas educacionais da Microsoft. Em reconhecimento pelo destaque que a Finlândia tem alcançado na área da educação, a Microsoft resolveu concentrar num mesmo período as reuniões anuais de seus principais programas voltados para Educação Básica (K-12). Tenho sido privilegiado de acompanhá-los todos desde o início, em 2003, quatro anos atrás. Is três primeiros programas fazem parte da iniciativa "guarda-chuva" "Partners in Learning" ("Parceiros na Aprendizagem", no Brasil, "Alianza por la Educación" no restante da América Latina). A propósito, está disponível no site da Microsoft Education um relatório em PDF dos primeiros quatro anos e meio de "Partners in Learning". Os interessados podem baixá-lo no seguinte endereço: http://www.microsoft.com/education/PartnersinLearning/2007ProgressReport.mspx As reuniões aqui foram entremeadas de visitas a escolas e de palestras por autoridades educacionais finlandeses. Eu dei um dos keynote speeches no segundo evento ("Third 'School of the Future' Summit"), no dia 30. Comecei minha fala, que teve como título "Change, Innovation and Accountability", destacando os contrastes do desempenho dos alunos de 15 alunos finlandeses e brasileiros no PISA ("Programme for International Student Assessment") da OECD ("Organisation for Economic Cooperation and Development"). Os sites respectivos são os seguintes: Minha palestra foi muito parecida com uma palestra que venho dando há alguns anos em Hong Kong, Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan -- países (Hong Kong na verdade é uma região, mas considero como uma país, dadas suas diferenças do restante da China) que também têm obtido grande visibilidade na área da educação -- Hong Kong e Coréia do Sul disputando com a Finlândia os primeiros lugares. É interessante registrar que Macau -- que também é região especial da China hoje, foi colonizada durante vários séculos pelos mesmos portugueses que nos colonizaram e só foi devolvida à China em 1996 -- também obteve resultados bastante significativos no PISA de 2003. Tenho conversado bastante, nos últimos anos, com educadores finlandeses e desses quatro países asiáticos (já estive em Macau, mas só para conhecer: não conversei com nenhum educador de lá). Comecei minha palestra em Helsinki, realizada na abertura de um evento sobre "A Escola do Futuro", perguntando se nós, que não éramos desses países, imaginávamos que esses países já teriam alcançado "A Escola do Futuro". E relatei que -- diferentemente das autoridades dos Ministérios da Educação desses países (e, aqui entre nós, do que a mídia parece pensar) -- muitos educadores desses países, longe de ficarem satisfeitos com os resultados alcançados, estão preocupados, pois estão convencidos de que as escolas de seus países estão longe de ser qualquer coisa que possa ser descrita como "Escola do Futuro" e receiam que toda esse publicidade dada à suas escolas vá tornar cada vez mais difícil transformá-las significativamente, como eles acham que deve acontecer. Muitos têm receio de dizer isso em voz alta, porque vão parecer traidores da pátria, exatamente em seu momento de maior brilho -- mas é isso que pensam quando se permitem discutir os problemas em ambientes sem visibilidade mediática (como, por exemplo, no caso dos finlandeses, tomando a deliciosa vodka "Finlandia" bem gelada, beliscando canapés de salmão defumado ou de ostras fritas no alho, em preparação para um jantar de filé de rena e lingüiça de alce). (E tem gente, como Jacques Chirac e Silvio Berlusconi que dizem que a Finlândia tem a pior comida da Europa. Só um francês e um italiano esnobes, que acreditam que só a França e a Itália fazem comida decente, poderiam dizer uma besteira dessas.) Mas voltemos ao que interessa. Dado o contexto que acabei de descrever, e que descrevi também na minha palestra, propus-me discutir no restante da palestra o que, a meu ver, está acontecendo que pode explicar esse quase paradoxo: o mundo inteiro querendo saber o que a Finlândia e a Coréia do Sul estão fazendo na área da educação, para poder imitá-las, e educadores desses países receosos de que toda essa visibilidade possa dificultar o aparecimento de um processo de real transformação de suas escolas que eles consideram indispensáveis. Vou resumir aqui o que penso, enunciando, de forma condensada, várias teses. Não vou defendê-las extensamente aqui (em alguns casos, não vou nem sequer tentar defendê-las). Mas considero todas elas muito defensáveis. 1) Nossa época, descrita como Sociedade da Informação ou Era do Conhecimento, é mais aptamente descrita como Era de Mudanças e Inovação. 2) Mudanças podem ser classificadas de várias maneiras, mas a mais interessante categorização, no contexto, é a que coloca: a) de um lado, mudanças parciais, graduais, incrementais, que não se distanciam significamente de práticas presentes, e, portanto, levam a reformas; e b) de outro lado, mudanças sistêmicas, rápidas, inclusivas, que se distanciam radicalmente de práticas presentes, e, portanto, levam a transformações (ou, se preferem, revoluções). 3) Tem-se mostrado de forma convincente que o principal critério que nos permite colocar mudanças numa ou noutra dessas duas categorias é o grau de inovação que a mudança implica. 4) As mudanças que caracterizam nossa época (exceção feita à escola) são do segundo tipo e esse fato tem provocado uma verdadeira revolução na economia, nas empresas, nas instituições em geral, até mesmo nos governos (sempre excetuada a escola). 5) Focando agora a escola, pequenas mudanças parciais, segmentadas, graduais, incrementais, DENTRO da escola atual (no currículo, na metodologia, na forma de preparação do professor, na introdução de tecnologia, etc.), ainda que, isoladamente inovadoras, não serão suficientes para INOVAR A ESCOLA em si, na forma radical em que essa inovação se torna, hoje, necessária. 6) O que é preciso, hoje, se a escola vai continuar a ser pedagogicamente relevante nos processos de aprendizagem das pessoas, em especial das crianças da chamada "geração digital", é reinventar a escola de forma sistêmica, repensando-a de forma global, sem compromissos com as suas práticas atuais. Esse é o contexto teórico em que me proponho discutir a questão das escolas finlandesas e das escolas dos países asiáticos que mencionei. Minha experiência de várias visitas aos países asiáticos nomeados nos últimos quatro anos, e em grande medida confirmada pela minha visita à Finlândia agora, é que a escola desses países alcançou um nível excepcional de qualidade DENTRO DO CONTEXTO DA ESCOLA TRADICIONAL. Cansei de ver escolas nos países asiáticos com mais de 40 alunos na classe, todos eles sentados em fila, segundo o número de matrícula, uniformizados e com o número de matrícula gravado na camisa, quietinhos e disciplinados (chegaria a dizer amestrados -- palavra que, não nos esqueçamos, tem que ver com "mestre"), ouvindo um professor que leciona (dá lição) o tempo quase todo, falando ao microfone que fica ao redor de seu pescoço, os alunos só se manifestando quando solicitados. Se levados ao laboratório de informática, os alunos conseguem demonstrar grande proficiência no trato com a tecnologia, mas o conteúdo a que aplicam a tecnologia continua sendo um conteúdo altamente tradicional. Sem querer exagerar, e deixando de lado a tecnologia, que não tínhamos, as escolas que vi se pareciam muito, enquanto ambientes de aprendizagem, com as escolas públicas que freqüentei de 1950 a 1960, no curso primário e ginasial. Não é preciso relembrar ninguém aqui que as escolas públicas brasileiras desse período eram excelentes -- enquanto ambientes de aprendizagem tradicionais, segundo os quais educar era transmitir conteúdos disciplinares ("to deliver content", como dizem os gringos), algo que se fazia pelo ensino, ensino esse ministrado por professores especializados em blocos estanques de conteúdos (disciplinas acadêmicas, dosadas por série) -- e aprender era absorver e assimilar esses conteúdos, coisa que se aferia através de provas e exames. Nossos professores eram bem preparados, dentro desse paradigma, ganhavam relativamente bem, tinham elevado status social e a coisa toda funcionava mais do que a contento: havia uma concorrência brutal para entrar na escola pública. No ano de 1956, em que entrei no Ginásio, entraram menos de dez por cento dos candidatos ao Exame de Admissão do então celebrado "Colégio Estadual e Escola Normal 'Dr. Américo Brasiliense'", de Santo André (na Praça do Quarto Centenário). Menos de dez por cento: mais de dez candidatos por vaga. A qualidade da escola pública brasileira dos anos 50 nos permite compará-la (a meu ver) com a qualidade das escolas que se saem bem no PISA, hoje. Mas sua seletividade a constrasta frontalmente com essas escolas. A escola pública brasileira dos anos 50 atendia a um percentual pequeno da população. As escolas finlandesas e asiáticas (dos países indicados) atendem basicamente a toda a população na faixa etária escolar. Aí está o que, a meu ver, deve ser investigado com mais profundidade. E minha conjetura (popperiana) é de que não há maior mistério no sucesso das escolas bem classificadas no PISA: elas fazem o que nós fazíamos nos anos 50: levam a educação a sério, investem significativamente no sistema escolar, pagam bem os professores, fazem do magistério uma carreira econômica e socialmente atraente, etc. Só que a Finlândia e os países asiáticos indicados fazem isso com basicamente toda a população -- nós só o fazíamos com uma parcela selecionada, que de certo modo era, ou estava destinada a ser, a elite intelectual do país. Deixando de lado por um momento a Coréia do Sul e Taiwan, que são países de maior população, é necessário destacar que a Finlândia e Hong Kong são países de população muito pequena e estável (na verdade, com o que os entendidos chamam de "crescimento negativo"). A Finlândia tem cerca de 5 milhões de habitantes e Hong Kong um pouco mais: por volta de 7 milhões. Cabem duas Finlândias dentro do município de São Paulo (não da Grande São Paulo). A Finlândia e Hong Kong juntos representam mais ou menos um terço da população do Estado de São Paulo. Cabem duas Helsinkis dentro da Campinas. E a população aqui no Brasil, embora tenha tido taxas de crescimento menores (em relação ao que eram), continua a crescer. Não nos esquecemos de que, em termos de população, o Brasil cresceu, nos últimos 35 anos, nada menos do que VINTE FINLÂNDIAS (passando de cerca de 90 milhões na época da Copa de 70 para cerca de 190 milhões hoje). E a Finlândia (deixando os outros países temporariamente de lado) é um país rico com uma longa tradição cultural. Nós no Brasil estamos esperando nosso primeiro Prêmio Nobel (até a Argentina e Portugal já têm o deles). Enquanto a isso, a pequenina (em termos de população) Finlândia tem nada menos do que QUATRO: Ragnar Arthur Granit (October 30, 1900, Helsinki, Finland - March 12, 1991, Stockholm, Sweden) was a Finnish scientist who won the Nobel Prize in Physiology or Medicine in 1967, along with Haldan Keffer Hartline and George Wald. He was a 1927 graduate of the University of Helsinki Faculty of Medicine. Frans Eemil Sillanpää (September 16, 1888 - June 3, 1964) was one of the most famous Finnish writers. He was awarded the Nobel Prize in Literature in 1939. Artturi Ilmari Virtanen (IPA: [ˈɑrtːuri ˈilmɑri ˈvirtɑnen]) (January 15, 1895 - November 11, 1973) was a Finnish chemist and a recipient of the Nobel Prize in Chemistry in 1945. Heikki Ollila was chosen to receive the 2005 Nobel Peace Prize on behalf of the International Atomic Energy Agency (IAEA) and its chief, the Director General Mohammed El Baradei. Mr. El-Baradei and the agency will share the prize. (http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Finnish_Nobel_laureates) Tão importante quanto serem quatro os prêmios é fato de que foram em áreas diversas: Fisiologia ou Medicina, Química, Literatura e Paz -- o que mostra bom nível cultural nas ciências e nas humanidades. Os prêmios foram concedidos de 1927 a 2005. Há um outro fator para o qual quero chamar a atenção, que alguns vão julgar irrelevante -- mas que eu considero pertinente. Hoje, aqui em Helsinki, estava noite às 16h30 -- e amanhã só vai amanhecer depois das 8. Quando chegar o Inverno, em Dezembro, os dias por aqui terão claridade apenas por cerca de três horas -- o que significa que as noites têm mais de vinte horas. E, hoje, em pleno Outono, a temperatura chegou a menos sete graus Celsius aqui em Helsinki. Frio para ninguém botar defeito -- e para ninguém colocar defeito. Num contexto desses, ficar em casa é a regra. E uma das coisas que se faz em casa quando está escuro lá fora durante 90% do tempo e gelado durante 100% é ler, estudar, conversar, escrever -- ou ficar deprimido e encher a cara (os finlandeses, segundo meu "Guia Turístico", estão entre os maiores beberrões do mundo e suas taxas de suicídio são elevadíssimas). Enquanto isso, temos sol e calor o ano todo na maior parte do país, temos não sei quantos quilômetros de praias convidativas, etc. Quem duvida que esse tipo de consideração seja pertinente é convidado a ler Vianna Moog, Bandeirantes e Pioneiros. Para encaminhar essa fase da discussão para uma conclusão: para mim o admirável (dentro do contexto da escola tradicional) é o que a Coréia do Sul e Taiwan estão fazendo -- pois têm populações muito maiores do que a Finlândia, Hong Kong e, naturalmente, Cingapura (que tem apenas dois milhões e pouco de habitantes). MAS a escola tradicional tem seus dias contados. Disso não tenho dúvida alguma. Argumentei em favor dessa tese em vários lugares. Um deles foi um artigo no meu blog "Liberal Space" no dia 28/4 deste ano: vide "Educação no Norte e no Sul" em http://ec.spaces.live.com/blog/cns!511A711AD3EE09AA!1512.entry E os educadores com quem tenho conversado na Finlândia e nos países asiáticos indicados sabem disso -- especialmente os asiáticos. Eles sabem que suas escolas preparam excelentes técnicos, maravilhosos cumpridores de ordem, capazes de seguir as instruções mais difíceis (desde que precisas), mas não conseguem preparar gente com elevados graus de capacidade criativa e inovadora, gente que saiba lidar com ambigüidade e complexidade, gente competente na solução de problemas inéditos, para os quais não há precedentes, gente que tem capacidade de liderança, que sabe negociar, que tem competência na resolução de conflitos interpessoais, que sabe trabalhar bem em grupos de iguais em que ninguém dá ordens e transmite instruções, gente que sabe fazer planejamento estratégico de longo prazo, inclusive da própria vida, e que sabe administrar os recursos básicos que viabilizam o gerenciamento competente de projetos: pessoas, tempo, dinheiro, e recursos materiais. E assim vai. É por isso que o pessoal desses países faz curso de engenharia ou matemática em suas universidades e vai fazer Mestrado (especialmente o MBA) ou Doutorado fora -- particularmente nos Estados Unidos. Enfim... É isso o que penso. Alguns amigos me pediram que deflagrasse uma reflexão sobre a Finlândia, já que estive lá por esses dias, em eventos relacionados à educação escolar. É isso o que penso. Foi isso que, em parte, disse aos finlandeses. Não chamei a atenção deles para o fato de que têm altas taxas de consumo de álcool e suicídio -- mas um outro palestrante destacou exatamente isso no início de sua fala. Uma última palavra. Há gente que é muito cético da mídia -- mas aceita mais ou menos acriticamente a tese de que os testes do PISA medem realmente qualidade em educação, e que, portanto, as escolas da Finlândia e dos "Tigres Asiáticos" são as melhores do mundo. Minha sugestão é que entrem no site do PISA e verifiquem as mudanças que os organizadores do teste estão contemplando para as próximas edições. ET: Lendo uma versão anterior deste artigo, meu amigo Rev. Wilson Azevedo, cuja filha já estudou na Escola da Ponte, em Vila Nova do Famalicão, ao lado do Porto, e que dá cursos a distância sobre a visão pedagógica dessa escola, me perguntou: "Estou aqui pensando: se em Portugal tem uma Escola da Ponte, se no Brasil tem uma Lumiar, o que tem nestes países em termos de reinvenção da escola? Você viu alguma coisa nesta direção?" Respondi a ele por e-mail basicamente o seguinte: Pode ser que haja, Wilson. Eu não vi. Da próxima vez, quem sabe, sairei 'campeando' uma por aqui... Quem sabe ache. Mas fico me lembrando de um famoso ditado americano: "If it ain't broken, don't fix it". Traduzindo literalmente, "Se não está quebrado, não conserte". O equivalente desse ditado no Brasil é "Em time que está ganhando não se mexe". Em coerência com esses ditados, Nicholas Negroponto disse, numa palestra no COSN (Council of School Networking), em Washington, em Março de 2004, a que eu tive o prazer de assistir, que o principal obstáculo à inovação nas escolas dos países desenvolvidos é a qualidade que se percebe nelas (ou a qualidade que se lhes atribui). Quanto maior a qualidade percebida de um sistema, menos dispostas estão as pessoas a tentar mudá-lo, porque a mudança pode dar errado e colocar em risco o sucesso alcançado. O inverso também é verdadeiro: Quanto pior a qualidade percebida de um sistema, mais dispostas estão as pessoas a tentar encontrar alternativas radicais: se as mudanças não derem certo, aquilo que elas propunham mudar não deve ficar pior por isso... e, por outro lado, elas podem dar certo... Com base nessa "lei", Negroponte concluiu que as maiores inovações na área de educação nos próximos anos devem vir dos países em que as escolas são piores... Se isso é verdade, temos grande chances de ganhar ESSA competição (mesmo perdendo a atual de PISA)... Estou saindo do hotel para ir para o aeroporto. São 4 da manhã da segunda, e, portanto, já do dia 5 de Novembro. Em Helsinki, 4 de Novembro de 2007 O décimo quarto dia da viagem: 4 de NovembroSai do Brasil no dia 22/10, uma segunda-feira. Hoje é domingo. Completam-se hoje duas semanas de viagem (para ser preciso, completar-se-ão só amanhã por volta das 14h, mas...) Meu vôo sai para Helsinki um pouco depois das 14h. Fiz, aqui no Holiday Inn de Oulu, reserva para o Holiday Inn de Helsinki que fica perto do aeroporto. O vôo para Frankfurt sai às 7h da manhã -- não vale a pena ir até o centro de Helsinki só para passar frio no centro... Frio por frio, passo no hotel do aeroporto mesmo. Dizem as predições que fará -7 hoje em Helsinki. Vou agora tomar meu café. Aqui tenho comido ovos mexidos, umas almondegazinhas cozidas, e "hashed brown potatoes", que, para meu gosto, é a forma mais gostosa de comer batatas que existe, embora certamente não a mais sadia. Ganha até da batata frita do McDonald's. Depois do café, se achar meus companheiros, vamos dar uma volta, para ver se achamos algum comércio aberto. Volto mais tarde. Acabei de descobrir que a Embaixada do Brasil na Finlândia tem um site na Internet, bastante informativo. Nesse site há a informação de que Dom Pedro II realmente esteve na Finlândia no final do século XIX (pelo jeito acompanhado do Czar da Rússia, que era seu parente). Vide http://www.brazil.fi/brazil/index.php?p=News/1&lang=PO&art_id=1133960937_571. O mesmo artigo afirma que "o primeiro navio que tocou a Finlândia após a Segunda Guerra mundial trazia café brasileiro". Informação interessante -- embora de duvidosa utilidade... Fuçando na Internet descobri que a pequenina Finlândia (que tem um pouco mais de um-vinte avos da população brasileira e que tem uma história como país independente que tem metade da duração da do Brasil) já teve quatro prêmios Nobel, a saber (segundo a Wikipedia): Ragnar Arthur Granit (October 30, 1900, Helsinki, Finland - March 12, 1991, Stockholm, Sweden) was a Finnish scientist who won the Nobel Prize in Physiology or Medicine in 1967, along with Haldan Keffer Hartline and George Wald. He was a 1927 graduate of the University of Helsinki Faculty of Medicine. Frans Eemil Sillanpää (September 16, 1888 - June 3, 1964) was one of the most famous Finnish writers. He was awarded the Nobel Prize in Literature in 1939. Artturi Ilmari Virtanen (IPA: [ˈɑrtːuri ˈilmɑri ˈvirtɑnen]) (January 15, 1895 - November 11, 1973) was a Finnish chemist and a recipient of the Nobel Prize in Chemistry in 1945. Heikki Ollila was chosen to receive the 2005 Nobel Peace Prize on behalf of the International Atomic Energy Agency (IAEA) and its chief, the Director General Mohammed El Baradei. Mr. El-Baradei and the agency will share the prize. (http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Finnish_Nobel_laureates) Tão importante quanto serem quatro os prêmios é fato de que foram em áreas diversas: Fisiologia ou Medicina, Química, Literatura e Paz. Os prêmios foram concedidos de 1927 a 2005. Estou no lobby do hotel, agora, esperando o pessoal descer para a gente ir para o aeroporto. Hoje, depois do café, saí para tirar umas fotos de downtown Oulu (que coloquei num álbum), e quase fiquei congelado. Tirava uma foto e tinha de fechar a câmera para colocar as mãos nos bolsos por pelo menos um minuto, para elas se esquentarem um pouquinho. O vento parecia que penetrava a pele. Meus lábios estão queimados, apesar de ter usado aquele bastãozinho "Chap Lips". Volto a falar quando estiver em Helsinki novamente. Já estou em Helsini -- são 16h20. Nevou hoje cedo aqui: o chão estava todo branco quando o avião estava aterrisando. Deixei minha mala grande no aeroporto (estava muito pesada) e trouxe a maleta de mão e a mochila. Agora estou aqui no hotel (Holiday Inn Grand Court, Helsinki Airport). São 16h30 e já está basicamente escuro. Amanhã tenho de me levantar às 4h30, mais ou menos, me aprontar, tomar café e ir para o aeroporto, para pegar o vôo para Frankfurt às 7h10. Relato mais coisas amanhã. O dia será longo, porque conforme o tempo passa irei virando o relógio para trás... Em Oulu e Helsinki, 4 de Novembro de 2007 November 03 O décimo terceiro dia da viagem: 3 de NovembroAcordei-me às seis horas hoje com as badaladas do sino do relógio da Catedral Luterana, que fica ao lado do hotel. A primeira já me acordou -- e fui contando as demais para saber que horas eram. Da minha janela dá para ver o lindo relógio na torre da igreja. A torre se parece com a torre do prédio da administração do seminário onde estudei em Pittsburgh, de 1967 a 1970. Fui responder meus e-mails e entrei na minha conta no Orkut, para ver como estava a comunidade "Eu fiz parte da EduTec", comunidade essa criada pelo meu amigo Rev. Wilson Azevedo, um dos primeiros ingressantes na EduTec. A EduTec foi literalmente a primeira grande comunidade virtual existente no Brasil. Formalmente era uma lista de discussão na Internet (no Yahoo! Groups). Na prática e na realidade tornou-se uma real comunidade virtual, que chegou a ter mais de mil membros. O tema básico do grupo era Educação e Tecnologia, mas, na prática, a gente discutia educação em geral -- e até mesmo outros tópicos. Em 2000, quando coordenei o Congresso Educador, da Promofair, que teve cerca de quatro mil participantes aquele ano, tivemos um encontro presencial de um bom número dos membros da EduTec: o núcleo central esteve lá. Saímos jantar um dia, no restaurante do Hotel Ibis, onde muitos estávamos hospedados. Outro dia fomos tomar chopp no Shopping Center Norte. Foi uma experiência deliciosa. Lembro-me de que participaram do encontro o Renato Soffner, o Renato Mineiro, o Delarim, a Lenise, a Raquel, a Edilene, a Lourdinha, a Clara... E muitos outros. A Microsoft me deu um brinde para distribuir (um porta-lápis, no qual estava escrito EDUTECNET e MICROSOFT -- ainda tenho alguns deles em casa) e mandei fazer um crachá com o nome de cada um... A gênese da EduTec foi a seguinte... No final de Outubro de 1998 tive um encontro com Carlos Alberto Ferreira, que era Gerente de Educação da Microsoft Brasil. Ele me recomendou criar o site EduTec.Net (o nome era EDUTECNET) e a lista -- e foi o que fiz. Ele logo deixou o cargo na Microsoft e a Márcia Teixeira assumiu a posição que ele tinha -- e me concedeu ajuda financeira para dar ao site uma cara mais profissional (que é a cara que o site http://edutec.net ainda tem até hoje: não tenho tido tempo e tesão para atualizá-lo. Alguns membros da EduTec formaram uma outra comunidade, que, acredito, existe até hoje, a Cogito (acho que é esse o nome). O criador dessa lista foi o Renato Mineiro, que havia sido um dos que soltaram rojões virtuais na EduTec quando as Torres Gêmeas foram destruídas. Mas, pelo que sei, a Cogito nunca cresceu muito. O Renato Mineiro fez tese de Mestrado sobre a EduTec. Uma jornalista do Alagoas, de cujo nome não me recordo agora, fez seu trabalho de conclusão de curso de Especialização sobre a EduTec. Achei interessante e curiosa a criação, agora, pelo Wilson Azevedo, da comunidade "Eu fiz parte da EduTec" no Orkut. Lá já foi lançada a questão se a EduTec deveria ser recriada. Eu, pessoalmente, acho que tentar recriar uma comunidade daquela é mais ou menos como tentar reconstituir um casamento depois de seis anos de divórcio: é uma iniciativa que pode até dar certo, mas que tem pouca chance. A EduTec foi minha segunda aventura na área de comunidades virtuais. Eu já havia tido uma lista de discussão sobre Educação e Tecnologia hospedada nos computadores da UNICAMP. Criada em 1987, chamava-se INFED. A lista era no que então se chamava de BitNet, rede iniciada pela IBM que fez as vezes de Internet enquanto esta não se expandia mundialmente. Depois da EduTec, criei várias comunidades virtuais na Internet. A maior delas, que continua até hoje, é a 4pilares (vide http://4pilares.net). Mas não tem a mesma vitalidade da EduTec. Inicialmente a 4pilares foi patrocinada pela Microsoft e pelo Instituto Ayrton Senna. Quando o Instituto resolveu que não iria mais se envolver com isso, me autorizou a manter a comunidade em meu próprio nome. Isso resolveu uma série de problemas que a lista enfrentou, como, por exemplo, não discutir política. Foi em decorrência dessa determinação do Instituto que acabei criando uma segunda comunidade, a LivreMente (http://livremente.net) para discutir qualquer coisa, sem restrição alguma. A LivreMente continua até hoje, sendo palco de algumas brigas homéricas, especialmente envolvendo o Antonio Morales (o "Tonhão"), esquerdista de quatro costados e, como eu, ateu convicto, e a Lenise Garcia, da UnB, católica ferrenha, do Opus Dei. O Tonhão é ex-diretor do SENAC de Bauru. Com sua mulher, Ely, ele foi colega de turma de minha mulher, Sueli, no Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (hoje UNESP). Mas nada disse nem que ver com Oulu, Finlândia... Apenas deixei minha mente correr solta. Agora vou tomar banho, fazer a barba e descer para tomar café. Volto mais tarde. Voltei logo depois do banho... Os banheiros aqui da Finlândia todos (que eu conheci) têm um rack de toalhas aquecido. Os canos em que as toalhas ficam penduras ficam bem quentes. Assim, quando você pega a toalha de banho para se secar ela está quentinha. Creio que num clima frio como este, essa é uma invenção genial. Especialmente porque o termômetro externo indica uma temperatura externa de -1 no momento... No quarto a temperatura é confortável: 22 graus. São quase 8 e meia e o dia está começando a clarear agora. Está chegando a hora do almoço. O sol até que ameaçou sair, mas parece que se arrependeu. Continua frio. Eu ia até o shopping center hoje à tarde, mas parece que é feriado e o comércio está todo fechado. E amanhã é domingo, e, por isso, parece que o comércio continua fechado... :-( Esqueci-me de dizer que ontem no jantar havia um historiador, doublê de comediante, que fez um monte de graça sobre a história da Finlândia. Depois ele andou no salão, conversando com os diversos grupos nacionais. Quando chegou à nossa mesa, descobriu imediatamente que estávamos falando Português, e, em seguida nos contou uma história. Dom Pedro II, segundo ele nos informou, veio à Finlândia em 1876. Aqui ficou amigo de todo mundo, como ele normalmente fazia. Chegou a gravar o nome dele, "Pedro II", numa árvore, e a gravação está lá até hoje -- mais recentemente com uma placa colocada ali pela Embaixada Brasileira, informando quem era Pedro II, quando o nome dele foi gravado ali na árvore, etc. Não sei se é verdade, mas a história é plausível. Li recentemente uma biografia de Drom pedro II e fiquei sabendo que ele fez, mais ou menos na época mencionada, uma viagem longa à Europa. E o livro informa que Dom Pedro II era muito popular quando visitava outros países, porque se comportava como uma pessoa do povo e não como a realeza que de fato era. Encerrado o encontro. Não gostei muito das apresentações de hoje -- mas não vou comentá-las aqui. Agora vou sair um pouco para andar, refrescar a cabeça, e, depois, jantar. 21h: Voltei do jantar, muito bom, por sinal. Comi um entrecôte delicioso, de entrada comemos carpaccio de salmão e umas ostras fritas individualmente no óleo, com alha, dentro de umas caçapinhas "the likes of which I had never seen before". Em Oulu, 3 de Novembro de 2007 November 02 O décimo segundo dia da viagem: 2 de NovembroChegamos à Estação Ferroviária de Oulu hoje, às 0h20. Felizmente era a parada final do trem, porque tínhamos tantas malas e pacotes que teria sido difícil tirar tudo do trem nos poucos minutos que ele normalmente pára numa estação intermediária. Mesmo sendo a estação final do percurso, as portas do trem se trancaram antes de tirarmos todas as malas -- na verdade, antes de todo mundo sair. Precisamos encontrar a chefe da estação para reabrir o trem... Na estação, tudo deserto. Arrastamos as malas para a frente da estação, onde havia um Ponto de Taxi (escrito Taksi). Havia umas três ou quatro pessoas já esperando. Felizmente os taxis foram chegando rápido e, quando era nossa vez, chegou uma van, que acomodou toda nossa bagagem (embora de forma precária). O hotel (Holiday Inn) não era longe -- nada é longe aqui, porque a cidade é pequena. O hotel é bastante bom -- Internet com cabo no quarto. São 7h45 da manhã e acabo de voltar do restaurante, onde tomei um café delicioso. O dia continua escuríssimo, as luzes da rua estão acesas e os carros trafegam com os faróis ligados em luz baixa (nenhum apenas com a lanterna, como é prática nefasta no Brasil). A reunião de hoje se realizará numa escola aqui perto, chamada Myllytulli School. O endereço é rua Kirkkpkatu 1. Iremos andando. Como se pode ver de algumas palavras que transcrevi, o finlandês usa e abusa de dobrar letrar -- especial o "k". As vogais "a" e "o" freqüentemente recebem trema. Consta que o sobrenome do campeão da Formula 1 é Räikkönen -- com dois "ks" e trema no "a" e no "o". O fim da viagem começa a ficar visível. Saio daqui de Oulu no dia 4 (domingo), depois de amanhã, durmo no domingo em Helsinki e, na segunda, dia 5, pego o avião da Lufthansa para Frankfurt, de lá o avião da United para Washington, que chega no mesmo dia, e, finalmente, um outro avião da United para São Paulo -- onde chego no dia 6, terça-feira. Já estou com saudade da família e de casa -- neste caso, principalmente do sítio. Hoje é dia de Finados. Estou aqui na Myllytulli School. É o fim do intervalo do almoço. Estamos nos reunindo numa sala de aula, almoçamos na cafeteria da escola... A sala e o refeitório deixam a desejar como local de reunião e alimentação, mas é interessante viver um pouco dentro de uma escola, com os alunos loirinhos passando em frente para ver quem são os visitantes, alguns com aparência meio exótica, que aterrisaram na escola hoje... Os prédios são antigos -- a escola tem mais de cem anos, e alguns dos prédios devem ser tão velhos quanto a escola. À tarde teremos mais palestras e mais discussões em grupo. As doze escolas começam agora a se apresentar e a apresentar seu projeto pedagógico. A Lumiar está no primeiro grupo de três escolas a se apresentar: será a última desse grupo. Vamos mostrar um vídeo que foi feito, e que está muito bom, e, depois, responder perguntas. À noite há um programa especial, que inclui, mas os que gostam mais de aventura, uma visita a uma sauna -- que é uma instituição nacional aqui na Finlândia. Eu prefiro tomar um vinho em algum lugar... A cidadezinha é bonitinha, pequena, numa baía. Como que para nos cumprimentar, o sol resolveu aparecer, fazendo desaparecer a escuridão e, até mesmo, o frio. (A escuridão desapareceu de fato; o frio só diminuiu). Estou com sono, pois acabei indo dormir às 2h30 hoje de madrugada. Bom, a parte da tarde do evento está para começar. Vou parando, para voltar depois. São 23h15. Acabo de chegar do jantar que foi realizado num lugar antiqüíssimo, às margens do rio Oulu. A comida foi muito boa, a bebida melhor ainda (vinho branco, vinho tinto, vinho de sobremesa, vodka Finlandia gelada...), e, depois do jantar, foto do grupo, sauna (pra quem quis), passeio de charrete (no escuro), etc. Tudo muito bem organizado. Agora estou com sono, depois de tanta bebida. Escrevo mais amanhã, dando detalhes sobre o local. Em Oulu, 2 de Novembro de 2007 November 01 O décimo-primeiro dia da viagem: 1 de NovembroEscrevo durante uma palestra de uma executiva da Nokia (Riitta Vanska). Além de ela não ter "o dom da palavra", o conteúdo que ela está apresentando é muito chato. Antes dela falou Anoop Gupta, Vice-Presidente Corporativo da Microsoft para Produtos e Soluções Educacionais. O tema foi "A Vision of Innovation in Education and Beyond". A conversa de ontem foi melhor -- embora a fala de hoje tenha sido acompanhada por lindos slides. Abrindo o dia houve uma fala muito interessante de Stan Slap, Presidente de uma empresa chamada Slapworld -- vide http://slapworld.com. O site é meio doido, e ele de vez em quando também parece um pouco exagerado, mas o conteúdo de sua fala foi interessante. Falando sobre a diferença entre o "manager" e o "leader", ele disse algumas coisas interessantes. Uma coisa que ficou na minha cabeça foi a seguinte. O foco do líder está nos seus valores. São eles que lhe fornecem uma visão e, através dela, o incitam a agir. Ele citou o exemplo de Martin Luther King, com seus valores de liberdade e igualdade. "I have a dream..." O bem que King fez para os negros americanos, disse Slap, não foi feito porque ele era altruísta e queria fazer o bem para os seus semelhantes. O líder, explicou ele, é a pessoa mais egoísta que existe. Ele vive e age em função de seus valores, de sua visão. O problema é que, o mais das vezes, os valores são tão amplos, a visão tão abrangente, que é impossível realizá-los sozinhos: é preciso engajar os outros na própria visão. É por isso que líderes em geral são bons em comunicação e persuasão: eles precisam comunicar sua visão e persuadir os outros a aderir a ela. Se o líder conseguisse realizar implementar seus valores e realizar sua visão sozinho, disse Slap, ele teria feito isso e teria dito para o resto das pessoas: "I have a dream. And you are not in it...! :-) Essa visão de liderança é o oposto da visão de liderança como serviço, que eu discuti no meu blog Liberal Space (http://ec.spaces.live.com) no artigo "Liderança (Ou: O Monge e o Filósofo)", em http://ec.spaces.live.com/blog/cns!511A711AD3EE09AA!1546.entry. Está chegando a hora do café aqui... De tardezinha vamos para Oulu, de trem. O trem sai por volta das 18h e chega um pouco da meia-noite. Leva seis horas -- apesar de, em linha reta, o trajeto ser 350 km, mais ou menos. Devemos jantar no trem. O hotel aqui nos deixou sair às 15h do quarto. Na hora do almoço vou lá arrumar minhas coisas. Não sei se vai dar tempo de voltar a escrever hoje. Caso contrário, amanhã relato o resto do dia. Saudações Tricolores a todos. Estou de volta, às 18h53, no trem que vai de Helsinki a Oulu. Estamos no vagão de primeira classe a Ana Teresa Ralston, a Maria Cláudia "Cacau" Lopes da Silva, a Daniella Dupont, o Gustavo Morcelli e eu. Só nós cinco vamos para Oulu. O restante ficou em Helsinki, devendo alguns voltar para Paris amanhã, ficando lá alguns dias antes de voltar ao Brasil. Hoje à tarde houve uma apresentação sobre a Lumiar feita pela Cacau. Fez a apresentação muito bem, apesar do nervosismo que vinha sentindo desde que soube que teria de fazer a apresentação. Ao final apresentou um vídeo de 4 minutos mais ou menos em que o Ricardo Semler fala sobre a Lumiar. Foi um sucesso. Várias perguntas -- que não houve no caso das apresentações da Irlanda e do Qatar, que precederam a da Lumiar. O evento final do evento foi uma palestra do Jean-François Rischard, que escreveu o livro High Noon. Quando estive em Tóquio, em Setembro, o Bruce Dixon, que vinha assessorando a Microsoft na montagem do programa, me informou que estava tentando conseguir que o Rischard viesse falar no evento. A descrição que o Bruce fez do livro me fez interessado em comprá-lo. Lá de Tóquio mesmo entre no site do Barnes & Noble e comprei o livro. Quando cheguei ao Brasil, o livro já estava lá. Achei-o muito interessante -- embora, como sempre, em casos assim, o diagnóstico é mais interessante do que as soluções propostas. Jean-François Rischard trabalhou no Banco Mundial durante vários anos e escreveu esse livro, que discute os principais vinte problemas globais do mundo de hoje. Problema global, no caso, é um problema que afeta todo o planeta e que, por definição, não é solucionável dentro dos limites de um ou outro estado nacional, ou mesmo de um bom número deles. Sua solução estaria a exigir estruturas globais e metodologias transnacionais que hoje ainda não possuímos. A ONU e outros mecanismos multilaterais que hoje existem não são suficientes para a solução. Os vinte problemas podem se classificar em problemas ambientais, que dizem respeito aos aspectos físicos do planeta; problemas humanos, que dizem respeito aos aspectos sociais e culturais; e problemas metodológicos, que dizem respeito aos princípios que permitem a solução de problemas transnacionais. Entre os problemas ambientais estão o aquecimento global, o desflorestamento, o esgotamento da reserva de peixes, etc. Entre os problemas sócio-culturais os principais são a pobreza, a propriedade industrial, etc. E, por fim, entre os problemas metodológicos está a insuficência, para a solução dos problemas globais apontados, dos mecanismos nacionais e transnacionais atualmente disponíveis para a solução de problemas. A fala foi interessante -- o conteúdo do que foi apresentado, não a forma. O Rischard fala num tom meio desanimado, blasé, como quem não está muito envolvido nas questões que está descrevendo. Quando voltar vou reler o livro. Uma coisa que ele abordou e que não está no livro foi o papel da educação. No livro ele enfatiza a necessidade de novas metodologias de solução de problemas que nos permitam enfrentam os problemas globais. Na palestra, tendo em vista o fato de que a platéia era de educadores, ele enfatizou o fato de que, além das metodologias, seria necessária uma nova mentalidade (um novo "mind set") que fosse focado na globalidade -- e que só a educação poderia ajudar a criar. Nesse novo "mind set" as pessoas se identificariam primeiro com as questões do plano global, depois com as questões do plano nacional e, só por fim, com as questões do plano local. Acho isso meio utópico, porque ninguém nasce prioritariamente "no planeta": nasce num lugar específico, que fica numa cidade ou numa região, que fica numa província ou num estado, que fica num país... O planeta é uma abstração a que se pode chegar depois de um processo complicado de transcendência dos condicionamentos locais e regionais. Não existe, por exemplo, uma língua planetária, global: existe a língua que é falada ali no cantinho em que a gente nasceu, e é ela que se torna a nossa língua materna. Não existe (ainda, embora é possível que se desenvolva) uma cultura planetária, global: existe a cultura que caracteriza o ambiente específico em que se nasce. Dentro dessa cultura está a questão da religião. Não existe uma religião planetária, global, e muito menos um ateísmo ou secularismo global (embora este esteja ganhando espaço nos últimos tempos, apesar dos diversos fundamentalismos). A pessoa em geral adota a religião dos pais ou da família... E assim vai. Imaginar que a educação possa inverter ou reverter esse processo me parece uma utopia -- a menos que a educação seja dotada de mecanismos autoritários, quiça totalitários, que tornem possível obliterar, em favor de valores planetários, globais, os valores locais e regionais. Enfim... As questões, como disse, são interessantes. As soluções propostas, nem tanto. A Cacau está lendo A Cidade do Sol, do mesmo autor de O Caçador de Pipas. A Daniella está dormindo (deitada nos dois assentos de um banco). A Ana foi ao banheiro. E o Gustavo está, como eu, mexendo no computador dele. Há tomadas aqui no trem. Tenho um adaptador europeu, que carrego sempre comigo, e um universal, que comprei na Austrália no ano passado. Tomamos uma cerveja (de 500 ml) cada um e devoramos um canudinho de batata frita Pringles. Está escuro lá fora. O trem saiu pontualmente às 18h33 e chegará a Oulu às 0h20 de amanhã, dia 2 de Novembro, dia de Finados. Porque viemos de trem, estamos perdendo um cocktail de recepção que o prefeito de Oulu iria oferecer aos participantes da reunião hoje à noite -- às 20h, daqui a uma meia hora (são 19h30). O trem tem uma televisãozinha que apresenta informações, o horário e a velocidade do trem. Estamos a 194 km por hora. Não é o TGV francês, que anda a 300 hm por hora, mas também não é nenhum trem de subúrbio brasileiro. Na verdade, é um trem muitíssimo confortável. Chama-se Pendolino. A menos que me lembre de algo mais a dizer, só volto a escrever a manhã, já de Oulu. Estou de volta. O vagão em que estamos tem um cantinho em que há café, leite, bolachas, etc. Uma delícia. Estou indo de novo. Por fim, fui até o vagão restaurante, comprei um sanduíche de frango e uma garrafinha de vinho, porque não havíamos jantado. Agora é final. Em Helsinki, 1 de Novembro de 2007 SPFC, Pentacampeão Brasileiro: Dentre os grandes, és o primeiro!Com a vitória de hoje por 3 x 0 sobre o América de Natal, o SPFC se consagra pela quinta vez (e pela segunda vez consecutiva) Campeão Brasileiro, sem precisar dos resultados das últimas quatro rodadas do campeonato. Como diria aquela múmia corintiana que preside o Brasil, nunca antes neste país foi tão fácil ganhar um campeonato nacional. A festa será ainda maior no final de Dezembro se (quando?) o timeco do Parque São Jorge pelo que torce o presidente for rebaixado para a segunda divisão. A quatro rodadas do final, o SPFC tem nada menos do que quinze pontos de vantagem sobre o segundo colocado -- o só um pouco menos timeco da Vila Belmiro. Quinze! O time chega a 73 pontos no total (tendo a chance de, no final, passar dos 80) e tem um saldo de gols de nada menos do que 38 -- mais de 20 gols superior do que o segundo melhor saldo de gols do campeonato. Só em termos de número de vitórias, o SPFC tem no momento quatro a mais do que o segundo colocado. Consagração total. Além de ser o primeiro pentacampeão brasileiro que a CBF reconhece, o São Paulo é campeão pela segunda vez seguida. Em 2006 foi campeão com duas rodadas de antecedência. Este ano, com quatro. O que mais se pode pedir de um time de futebol? Meus parabéns, aqui da distante Helsinki, para Muricy e seus comandados e, naturalmente, para Rogério Ceni e seus capitaneados, e para todos os que participaram nesta brilhante campanha. Rogério Ceni é, em termos de conjunto da obra, o melhor goleiro que este país -- quiçá o mundo -- já teve. É grande defensor e incomparável atacante nessa posição. Quanto a Muricy, o fato de o Morumbi estar gritando o nome dele, como já fez com o nome do grande Telê Santana, do qual Muricy foi assistente, prova a sua consagração. Setenta mil pagantes viram o jogo no Morumbi. Como queria ter estado lá! Eis a notícia da Folha (http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2007/10/31/ult59u135431.jhtm):
Em Helsinki, 1 de Novembro de 2007 - 3h50 da manhã; no Brasil, 31 de Outubro, 23h50. October 31 O décimo dia da viagem: 31 de OutubroHoje é um dia de múltiplas celebrações. Em primeiro lugar, hoje o sol apareceu aqui em Helsinki. Foi a primeira vez, desde que estou aqui. Em segundo lugar, é o dia da Reforma Protestante. Neste dia, em 1516, Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Catedral de Wittenberg (Vide http://www.iclnet.org/pub/resources/text/wittenberg/luther/ninetyfive.txt). Em terceiro lugar, hoje é Halloween - Dia das Bruxas. (Vide http://en.wikipedia.org/wiki/Halloween). E, em quarto lugar, last but not least, hoje é o dia do aniversário do meu amigo Fernando José de Almeida, que esta aqui em Helsinki comigo. Ele celebra seus sessenta e quatro anos -- alcançando-me no número de anos. Meu outro amigo Michael Furdyk, que está sentado aqui do meu lado, acaba de me informar que Suomenlinna, o local do "gala dinner" de ontem à noite, é um "UNESCO World Heritage Center". Depois que ele me disse, fui verificar na Internet e constatei que a informação está lá. Vide http://whc.unesco.org/en/list/583. O site oficial de Suomenlinna é http://www.suomenlinna.fi/index.php?lang=eng. Há um site com boas fotos de Suomenlinna em http://pictures.traveladventures.org/tags/Suomenlinna. Para o site dos UNESCO World Heritage Centers, vide http://whc.unesco.org/. Estou acrescentando Suomenlinna à minha lista dos World Heritage Centers que já visitei, lista que, atualizada, é a seguinte: [x] Austria, Historic Centre of the City of Salzburg Estou no momento assistindo a algumas palestras de grandes empresas sobre suas parcerias com a Microsoft na área da educação. Ford acabou de falar. Na verdade, quem falou foi uma representante do Henry Ford Learning Institute, que eu nem sabia que existia. (Vide http://www.hfli.org/). Vivendo e aprendendo. Agora está falando Houghton Mifflin, a famosa editora. (Vide http://www.hmco.com/indexf.html). Em seguida, Microsoft está falando sobre uma ferramenta que está desenvolvendo, chamada Grava, destinada a ser usada por editoras e autores. (Vide o comunicado disponível no site da empresa no seguinte endereço: http://www.microsoft.com/presspass/press/2007/jan07/01-09MaterialsAssemblyPR.mspx). À tarde provavelmente vou visitar uma escola. Visitas a algumas escolas estão sendo programadas. Mais tarde eu volto. Tarde da noite aqui, mas, no Brasil, ainda antes das 20... O SPFC nem começou a jogar contra o América-RN ainda... O dia foi normal. Participei de um almoço executivo com Anoop Gupta, Vice-Presidente Corporativo da Microsoft para Produtos e Soluções Educacionais. Depois assisti a mais dois eventos. À noite fui jantar no Restaurante Bellevue -- um belo restaurante russo -- em homenagem ao aniversário do Fernando José de Almeida. Além dos brasileiros estavam também os portugueses, capitaneados pela Adelaide (a Ana Ralston de Portugal). Amanhã é o último dia aqui em Helsinki. À noitinha vamos para Oulu -- de trem. O hotel nos deixou ficar com o quarto até às 15h. Volto amanhã. Em Helsinki, 31 de Outubro de 2007. October 30 O nono dia da viagem: 30 de OutubroHoje o dia começou com a abertura oficial do "School of the Future Summit", cujo tema geral foi "Innovation in the Age of Accountability". A manhã foi dividida entre quatro keynote speakers:
À tarde houve "Breakout Sessions" (Sessões Simultâneas) sobre:
Ao findar do dia houve Discussões em Grupo sobre temas como "Opportunities for Growth and Development" e "The Impact of Policy and Practice". No final do dia houve um cocktail em que os participantes desse evento ("School of the Future Summit") poderão entrevistar os semi-finalistas do evento anterior ("Innovative Teachers Forum") -- antes que eles saiam para o "gala dinner" que revelará os vencedores. Quando à minha palestra, mencionada atrás, fiz o que pretendia fazer, e, sem falsa modéstia, creio que o fiz bem. Estava tranqüilo, o som estava bom, minha voz não estava rouca, e a audiência ficou atenta o tempo todo (durou 45 minutos, em cima do cronômetro, como estipulado). O que mais se pode esperar? Depois (tarde da noite) volto para relatar o "gala dinner". Será numa ilha. Há fotos do local (por dentro e por fora) no último album de fotografias disponibilizado. Acabei de chegar do local do "gala dinner". Local lindo, num forte construído a partir de 1748, numa ilha que tem um farol, a cerca de 15 km do centro de Helsinki. O nome do lugar é Suomenlinna, Viapori-Sveaborg. Comemorou 250 anos em 1998. A novidade principal é que o projeto brasileiro "Excelections", apresentado pela Kátia Ramos, ganhou o terceiro lugar na categoria "Comunidade". Todos nós brasileiros ficamos muito felizes, a Kátia em especial, pois esforçou-se ao máximo para montar uma apresentação atraente. Agora vou dormir. Em Helsinki, 30 de Setembro de 2007 O oitavo dia da viagem: 29 de OutubroNovamente escrevo um dia depois... Hoje já é o dia 30 de Outubro, terça-feira, são 6 e pouco da manhã aqui em Helsinki (2 e pouco aí no Brasil, porque o horário de verão europeu terminou à zero hora do domingo, dia 28). Ontem o dia foi novamente corrido, culminando com um delicioso jantar no Sundman's. Mencionei o restaurante no último artigo. Antes disso chegaram, ontem, dia 29, segunda-feira, os últimos brasileiros que estavam sendo esperados: Maria Cláudia da Silva, Diretora da Lumiar da Bela Vista, Daniella Dupont, Diretora da Lumiar do Lageado, Fernando José de Almeida, Vice-Presidente da TV Cultura, Eduardo Morgado, da UNESP, e uma representante da UNDIME. O Fernando e o Eduardo são, como eu, consultores da Microsoft. Eles se juntam ao pessoal brasileiro que já estava aqui desde o dia 26, sexta-feira: a Mônica Gardelli Franco, o Gustavo Morcelli e a Kátia Ramos -- e, naturalmente, a Ana Teresa Ralston. A Mônica, originalmente da PUC-SP, vinha coordenando o trabalho da Microsoft na Lumiar, mas agora foi "roubada" pelo Fernando José de Almeida e irá para a TV Cultura. O Gustavo é da Helix, empresa que (entre outras coisas) está desenvolvendo o Mosaico Digital da Lumiar. E a Kátia é do Instituto Ayrton Senna, que tem sido um grande parceiro da Microsoft na área da educação no Brasil desde 1999. A Ana Teresa Ralston, como é sabido, é responsável pela área da Educação da Microsoft Brasil. Eu, naturalmente, estou aqui desde o dia 24 à noite. Para esclarecer por que um grupo chegou antes do outro é preciso explicar que há vários eventos acontecendo na Finlândia em seqüência e mesmo ao mesmo tempo. Do dia 27, sábado, foi aberto, com um cocktail de recepção, o "Innovative Teachers Forum", que se encerra hoje, dia 30, terça-feira, com um "gala dinner". Foi nesse evento que foram apresentados os quatro projetos brasileiros que ganharam o concurso "Professores Inovadores". (Vide, a esse respeito, o material no site da Microsoft Brasil - Educação: http://www.microsoft.com/brasil/educacao/parceiro/vencedores_premio.mspx). Transcrevo também abaixo dois "press releases" (um em Português, o outro em Inglês) sobre o assunto. Aqui em Helsinki, além dos quatro projetos brasileiros havia um total de 56 outros projetos de outros países. Ontem (29/10) foram anunciados os 24 semi-finalistas, e havia dois projetos brasileiros entre eles: Excelections (apresentado aqui pela Kátia Ramos) e Knowledge Web (apresentado aqui pela Mônica Gardelli Franco). E hoje (30/10), durante o "gala dinner", devem ser anunciados os vencedores, por categoria: Content, Collaboration, Community. Eles foram escolhidos pelos juizes (entre os quais me situo). Além deles haverá "Educator's Choice", escolhido por todos os professores aqui presentes que apresentaram projetos, em votação direta e universal. Em cada uma das quatro categorias, na verdade, serão escolhidos três projetos, devidamente classificados em primeiro, segundo e terceiro lugares. Hoje, dia 30, terça-feira, começa o "School of the Future Summit", que prossegue até o dia 1 de Novembro, quinta-feira. No dia de hoje há sobreposição entre os dois eventos. Este evento abre hoje e eu sou um dos keynote speakers. Darei uma palestra às 9h15 sobre "Change, Innovation and Accountability". Ontem, durante o dia, culminando com o jantar no Sundman's, houve também uma reunião do International Advisory Board de Partners in Learning, do qual faço parte desde 2003. Estavam presentes Bruce Dixon, Jenny Lewis, Michael Furdyk e eu próprio (John Bransford, Michael Fullan, Clotilde Fonseca e Alex Rusli não puderam comparecer). Esteve presente no jantar o pessoal da "Corp" (Matriz da Microsoft em Redmond), a saber: Lauren Woodman, coordenadora geral de Partners in Learning, Mischelle Schimmelpfenning, coordenadora operacional de Partners in Learning, Kristen Weatherby, coordenadora do Innovative Schools Program, e David Walddon, coordenador do Innovative Teachers Program. Estiveram presentes no jantar também os "Education Leads" das várias regiões em que a Microsoft divide o mundo: Erik Goldenberg (LatAm), Vincent Quah (APAC), Kirsten Born Rasmussen (Western Europe), e ... (Eastern Europe). Estiveram ainda presentes representantes da iniciativa Unlimited Potential da Microsoft: James Utzschneider (General Manager, Marketing and Communication) e ... No dia 1 de Novembro alguns de nós estaremos indo para um quarto evento, esse em Oulu, cerca de 350 km ao norte de Helsinki. Será o segundo "In Person Meeting" das doze escolas inovadoras escolhidas no início deste ano. A Lumiar é uma delas (vide meus outros blogs: http://escolalumiar.spaces.live.com e http://lumiarschool.spaces.live.com). Depois disso, de volta ao Brasil. Acho que é isso, por ora, sobre o dia de ontem. Em Helsinki, 30 de Novembro de 2007. ----- Projetos brasileiros participam de etapa mundial do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores na Finlândia Brasil terá quatro finalistas no concurso que irá analisar projetos que utilizam a tecnologia para revolucionar o aprendizado nas escolas A Microsoft anuncia nesta terça-feira dia 30 de outubro, os nomes dos vencedores da etapa mundial da edição 2007 do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores. O concurso reconhece os melhores projetos educacionais que utilizam a tecnologia para aperfeiçoar o processo de ensino e de aprendizagem desenvolvidos em mais de 50 países, inclusive no Brasil. Os vencedores serão conhecidos em cerimônia que será realizadah em Helsinque, na Finlândia. Na edição deste ano, o Brasil será representado pelos quatro projetos vencedores da etapa nacional do prêmio da Microsoft, realizada em São Paulo no dia 29 de agosto. A fase brasileira teve quatro categorias: Educador Inovador, Gestão Escolar e Tecnologia, Aprender em Parceria (coaching educacional) e Aluno Monitor, projetos que foram reconhecidos por usar a tecnologia de forma relevante. Os brasileiros que disputam a fase final do prêmio são: Projeto 1a. Exceleições do Grêmio Estudantil, da Escola Estadual Francisco Ferreira de Freitas de Serra Azul, São Paulo; Projeto Capacitação e uso de tecnologias, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de Betim, Minas Gerais; Projeto Griot - Contando Histórias, da Fundação Bradesco do Rio de Janeiro e Projeto CriarLaços, da Escola Professor Urbano Gomes Salgueiro, de Pernambuco. "Queremos reconhecer e estimular o desenvolvimento de práticas educacionais que usem a tecnologia para promover um processo de ensino e de aprendizagem mais efetivo, permitindo a troca de experiências e a valorização das instituições de ensino", afirmou a gerente de Educação da Microsoft Brasil, Ana Teresa Ralston. "É importante reconhecer os educadores que investem em aperfeiçoar suas práticas pedagógicas diariamente", concluiu Ana Ralston. No ano passado, quando a final aconteceu na Filadélfia, Estados Unidos, o Brasil conquistou a segunda colocação na categoria Inovação em Comunidade, com o projeto "Ler e Escrever? Com o computador". Desenvolvido por educadores da Fundação Bradesco de Osasco (São Paulo), o projeto propôs um método divertido e ao mesmo tempo desafiador de aprendizado, que aumenta a auto-estima e valoriza o aluno a partir de atividades lúdicas. Em 2006, o Brasil participou do prêmio com quatro projetos, além do "Ler e Escrever? Com o computador". São eles: "Revitalização do Córrego Cipoaba", "TICs Acesso e Qualidade" e "Rompendo Barreiras". Eles concorreram com outros 180 participantes de 35 países. Neste ano, são esperados 200 educadores de mais de 50 países na competição. ----- http://www.microsoft.com/presspass/press/2007/oct07/10-29ITFSOFPR.mspx?rss_fdn=Press%20Releases Microsoft Hosts Educators Worldwide to Discuss 21st Century Learning ChallengesTeachers and education leaders gather to discuss how technology can address educational needs, including building global classrooms.Network of Web Portals Helps Educators Become Innovators: http://www.microsoft.com/presspass/features/2007/oct07/10-29sotf.mspx More information about the Innovative Teachers: http://www.microsoft.com/presspass/events/itfsof
The ITF and SOF World Summit are both part of Microsoft Partners in Learning, an initiative to help teachers and administrators give students the skills they need to succeed. Thus far, more than 73 million students and more than 3.6 million teachers in 101 countries have been influenced through Partners in Learning. To support these efforts, the ITF recognizes and rewards innovative teachers who practice the elements of 21st century learning and incorporate the creative use of technology in their classrooms. The SOF World Summit provides educators and policymakers with a platform to exchange ideas and new approaches to K–12 learning and education reform, and thereby better equip students around the world to become the business and technology leaders of tomorrow. “Microsoft is committed to providing educators with the tools and support they need because it’s central to our mission of helping people realize their potential, and Partners in Learning is one way we’re delivering on that commitment,” said Ralph Young, vice president of the Worldwide Public Sector at Microsoft. “As educators strive to transform today’s students into tomorrow’s informed global citizens, private industry has a responsibility to provide assistance. The worldwide Innovative Teachers Forum helps celebrate a global community of teachers who are passionate about adopting new learning methods in the classroom.” Keeping Innovative Teachers Connected Partners in Learning is grounded in the belief that education is the universal pathway to prosperity and technology is a catalyst for educational reform. With that in mind, Innovative Teachers Forums are held regionally, enabling teachers to meet and collaborate with colleagues from different parts of the world, access breakthrough content developed by their peers, and propel their technology expertise to the next level. Once a year, Microsoft also hosts the worldwide ITF, bringing together the most innovative teachers chosen from the regional events, and giving them a chance to share best practices and showcase the most effective and innovative use of technology in the classroom at an end-of-event awards ceremony. These forums complement another Partners in Learning program — the Microsoft Innovative Teachers Network — which helps create global classrooms via a virtual community of more than 500,000 teachers from around the world who are connecting and learning from one another. Building the School of the Future While the ITF is focused on fostering and recognizing individual excellence in teachers, the SOF World Summit will provide more than 350 education leaders from 50 countries with a platform to exchange ideas and new approaches to K–12 learning at a schoolwide level. Summit attendees will learn from known researchers and practitioners, connect with schools that share common goals, and engage in lively debate about issues related to education and technology in learning. “The School of the Future World Summit fosters a dynamic setting for educators and policymakers to engage in energizing discussions with their colleagues, and initiates creative thinking about sustainable change in educational systems around the world,” said Bruce Dixon, chairman of the worldwide Partners in Learning Advisory Board and a keynote speaker at the SOF World Summit. “These events in Finland are helping educators around the world collaborate on innovative learning experiences, and incorporate technology into the learning process to address the challenges of the 21st century.” As part of its overall School of the Future efforts, Microsoft’s Innovative Schools program is helping 12 pilot schools around the world by providing technology expertise and experiential knowledge that any school — or any system — can use to prepare children for success in the 21st century. Representatives from those pilot schools are also in Finland to listen, learn and continue the process of holistic school reform. More information about the Innovative Teachers Forum Oct. 27–30, the School of the Future World Summit Oct. 30–Nov. 1, the Innovative Teachers Network, the Innovative Schools program and other Partners in Learning programs can be found online at http://. Founded in 1975, Microsoft (Nasdaq “MSFT”) is the worldwide leader in software, services and solutions that help people and businesses realize their full potential. Note to editors: If you are interested in viewing additional information on Microsoft, please visit the Microsoft Web page at http://www.microsoft.com/presspass on Microsoft’s corporate information pages. Web links, telephone numbers and titles were correct at time of publication, but may since have changed. For additional assistance, journalists and analysts may contact Microsoft’s Rapid Response Team or other appropriate contacts listed at http://www.microsoft.com/presspass/contactpr.mspx. October 29 O sétimo dia da viagem: 28 de OutubroOntem tive um dia cheio -- por isso acabei nem tendo tempo para escrever. Nas poucas folgas que tive, fiquei terminando meus slides para a fala de amanhã. Decidi considerá-los concluídos hoje cedo (escrevo dia 29 ao meio-dia, durante o intervalo de almoço). Ontem houve reuniões o dia inteiro, tivemos, nós, os juizes dos projetos de aprendizagem, de passar em revista os posters elaborados pelos professores, conversar com cada professor (nem sempre o Inglês era muito inteligível), e fazer o que deveria ter sido o julgamento final. (O julgamento preliminar foi feito com base nas informações disponibilizadas pelos seus autores). Às seis da tarde tivemos o jantar-de-trabalho dos juizes. Apesar de ser jantar de trabalho o ambiente e a comida eram finíssimos: três tipos de vinho, cada um acompanhando uma parte do jantar: entrada, prato principal e sobremesa. O local foi a Brasserie do Wanha Satana Conference Center (onde está se realizando o encontro). Os resultados que havíamos submetido foram tabulados e escolhemos 24 semi-finalistas. Mas recebemos a tarefa de dar mais uma analisada em tudo para escolher os três finalistas em cada uma das três categorias: Conteúdo, Compartilhamento e Comunidade. Acabei de entregar minha sugestão dos três finalistas por categoria. Além dos três vencedores (um por categoria) haverá um vencedor escolhido por votação universal dos participantes no evento. Antes do almoço houve o "ensaio" dos keynoters. Coloco "ensaio" entre aspas porque apenas instalamos o PowerPoint, colocamos o microfone, testamos o som, etc. Hoje à noite terei de participar da reunião-jantar do International Advisory Board de Partners in Learning. Será no GW Sundmans - Comptoir Room. É possível ver o site em http://www.royalravintolat.com/en/index.asp. Agora preciso voltar ao trabalho... Em Helsinki, 29 de Outubro de 2007 October 27 O sexto dia da viagem: 27 de OutubroDepois dos preparatórios, hoje as coisas começam para valer aqui. Ontem me encontrei rapidamente com meus amigos Kristen Weatherby, Greg Butler e Les Foltos. No dia anterior já havia encontrado David Walddon. Hoje devo encontrar Bruce Dixon, Jenny Lewis e Michael Furdyk. Nós quatro somos o "núcleo duro" do International Advisory Board de Partners in Learning. Os demais membros (Michael Fullan e John Bransford) raramente aparecem. John Bransford participou "de corpo presente" de algumas reuniões; Michael Fullan só deu o ar da graça por telefone. Para variar, acordei-me fora de hora (3h da manhã). Ontem foi a mesma coisa. Depois fiquei sentindo sono durante o dia. Hoje não vou ter muita chance de sair e tirar fotos. São 5 da manhã agora -- meia-noite aí no Brasil. Um bom dia para todos. Voltarei ainda hoje. Aproveito para dar o site do hotel em que estou hospedado, o Scandic Grand Marina: http://www.scandic-hotels.com/grandmarina. Segundo informações que obtive, pertencia à rede Hilton. Pelo jeito até o final do ano ainda concede pontos aos portadores do cartão Hilton Honors. Há um site em Inglês da cidade de Helsinki em http://www.hel.fi/wps/portal/Helsinki_en/. Há um site turístico da cidade em http://www.hel2.fi/tourism/EN/matko.asp. E há um site bem informativo sobre eventos, etc. em http://www.helsinki.fi/en/index.html. Vejam também http://www.everythingfinnish.com/. E há, naturalmente, como não poderia deixar de ser, o site sobre a cidade na WikiPedia em http://en.wikipedia.org/wiki/Helsinki. Mas especial mesmo é Santa Claus' Village on the Arctic Circle in Finnish Lapland: http://www.santaclausvillage.info/eng/main.htm. Consta que o Papai Noel viva lá, na Lapônia, no Norte da Finlândia, de onde apenas no final do ano ele sai para, com a ajuda de suas renas, distribuir presentes para as crianças do mundo inteiro. Espero que entre as renas que já comi por aqui não esteja nenhuma que fosse ajudante do Papai Noel. Se eu fosse o Papai Noel começava uma campanha urgente para a preservação das renas. Santa Claus tem um canal de TV na Internet: http://www.santatelevision.com/. Divirtam-se enquanto eu não volto. Tomei café da manhã com Greg Butler, sua mulher, Dianne, e seu filho mais novo, Tim. Eles estão indo passar o dia na Estonia -- dá para ir de ferry, atravessando o canal -- para visitar uma cidade medieval bonita que existe lá Depois descubro o nome. Escrevendo às 23h. O nome da cidade mencionada no parágrafo anterior é Tallinn. The WikiPedia infallibly has an article about it: http://en.wikipedia.org/wiki/Tallinn. Durante a tarde as exibições dos vários projetos foram montadas e tudo está pronto para a rodada final de julgamento dos vencedores. Os mais de 50 juizes, entre os quais me encontro, viram os resumos dos projetos e fizeram um julgamento preliminar. Amanhã teremos cerca de três horas para entrevistar os professores responsáveis pelos projetos sob nossa responsabilidade: cada juiz tem seis ou sete (eu tenho sete) -- e cada projeto é avaliado por três juizes. À noite, amanhã, teremos um jantar de trabalho para concluir nossa avaliação. Entre às 18h30 e 20h houve uma recepção -- muito barulhenta. Uma mulher fez uma palestrinha sobre a importância da sauna na vida dos finlandeses. A maior parte dos participantes não estava interessada e continuou conversando. Lastimável. Mas foi uma boa ocasião para encontrar amigos, em especial a Carrie Chen, da Microsoft Taiwan, que sempre me convida para ir lá. Reiterou o convite para o Education Forum de Maio de 2008. Também já tenho convite para estar na Coréia do Sul em Janeiro de 2008, feito por Bum Jo Park, que também estava presente na recepção. Encontrei lá também a Belén Martin, do México, que havia acabado de chegar aqui na Finlândia. Contou-me que está adotando uma segunda criança, uma menina. Já tem um menino, que está com três anos. Lembro-me de quando o adotou. Foi um pouco antes do nascimento do meu neto Marcelo (que nasceu quando Belén e eu, e mais um monte de gente, estávamos em Panama City, numa reunião de Partners in Learning da América Central e do Caribe. Sinto que Mei-Mei Ng, de Hong Kong, não esteja aqui: ela saiu da empresa recentemente. Tem duas meninas pequenas, a mais nova das quais tem um ano. Depois da recepção saí jantar com o Greg, a Dianne, o Tim, a Kristen Weatherby e o Erik Goldenberg. Fomos ao lindo restaurante que existe na Esplanada, perto do hotel (tudo é perto aqui) e que parece um edifício parisiense do início do século XX: cheio de vidros e metais. Comi salmão: um dos melhores que já comi. De sobremesa, torta de framboesa, com sorvete. O restauranta fica na frente do Palácio Presidencial -- que não tinha nenhum guarda ou segurança na frente. Só uma bandeira no alto indicava que se tratava do Palácio. A mulher que deu a palestra sobre sauna na Finlândia disse que já entrou em sauna pública aqui na Finlândia e encontrou o Presidente da República lá pelado, calmamente fazendo sua sauninha diária. Imagino que não teria segurança, guarda de honra, mordomo, valete, etc. Daqui a uma hora teremos de fazer os relógios voltar uma hora, porque termina o Horário de Verão na Europa (e, creio, também nos Estados Unidos). Ganhamos uma hora. Hoje garoou o dia inteiro. À noite, porém, quando saímos para jantar, a garoa havia parado. Na BBC vejo uma matéria sobre Fernando Botero. Tenho um livro de pinturas dele, que ganhei da Microsoft Colômbia, há uns três anos. Em Helsinki, 27 de Outubro de 2007. October 26 O quinto dia da viagem: 26 de OutubroHoje, sexta-feira, acordei meio tarde. As atividades são de preparação para o encontro do Innovative Teachers Forum, da Microsoft, que começa amanhã. Hoje ainda deu tempo de sair um pouco de manhã, tirar mais umas fotos, comprar uns livros... Comprei dois livros: Infidel (Infiel), de Ayaan Hirsi Ali, resenhado pelo Contardo Calligaris na Folha de ontem (resenha transcrita abaixo), e Mating in Captivity (Transando em Cativeiro), sobre a vida sexual dos casados... Sobre o primeiro, ao ler a resenha do Contardo resolvi que deveria comprar. Felizmente achei o livro em Inglês numa livraria aqui de Helsinki, bem em cima da prateleira dos mais vendidos de filosofia. Não é bem de filosofia, mas as questões discutidas podem ser encaradas de um ângulo filosófico. Depois de mencionar a compra do livro numa das listas de discussão de que participo, recebi a referência acerca da entrevista da autora nas páginas amarelas da edição de VEJA de 22 de junho de 2006, agora liberada a todos os usuários da Internet. Transcrevo a entrevista abaixo. Consta que ela tenha dado uma entrevista que foi (re)transmitida pelo Globo News -- mas não consegui localizar. O outro livro comprei mais pelo título provocador e por algumas passagens que li. A autora (é uma mulher que escreve o livro) discute a tese de que o companheirismo e a intimidade que os parceiros desenvolvem no casamento ou num relacionamento duradouro acabam solapando o sexo, que parece estar a exigir um pouco de mistério e uma certa dose de novidade. O subtítulo do livro é Sex, Lies and Domestic Bliss (Sexo, Mentiras e Felicidade Doméstica). Vamos ver se ela tem alguma sugestão criativa para a questão -- ou se conclui que o problema não tem remédio. Prometo relatar à medida que progredir na leitura. Li hoje a introdução ao livro e é bem interessante. A autora é psicoterapeuta. O frio aqui em Helsinki continua de rachar. Hoje estão chegando meus companheiros do Brasil: a Ana Ralston, a Mônica Franco, a Kátia Ramos e o Gustavo Morcelli. Os demais, que vêm apenas para a outra reunião. chegam depois. Estes vão participar do Innovative Teachers Forum, como disse. Os demais (Maria Cláudia Santos, Daniella Dupont, Fernando Almeira, e Eduardo Morgado) virão para o Innovative Schools Summit. Havia alguns convidados especiais (autoridades da área educacional) mas parece que não virão. Ia me esquecendo de dizer que comprei um paletó esporte de veludo leve -- e ganhei uma calça de brinde... Fazia tempo que procurava um paletó de veludo leve, não dos grossões (desses tenho um azul escuro, quase preto, que comprei na Vila Romana há algum tempo). O preço aqui saiu bem mais em conta do que o da Vila Romana, comprado no Iguatemi em Campinas. Por ora é só. Mais tarde fofoco mais, depois de encontrar os brasileiros que, espero, devem chegar logo. São 16h30 aqui. São 22h30. Os brasileiros chegaram, mas sem as malas, que, pelo que parece, ficaram retidas em Paris. Fomos jantar, desta vez no Lappi: mais filé de rena. Gostei mais da comida de ontem. Mas acho que já cheguei próximo ao meu limite de carne de rena, alce e outros aviadados. Sinto, porém, que vá ter de voltar a comer essas "delicacies", porque na segunda-feira tenho um jantar do International Advisory Board de Partners in Learning. Agora estou de volta ao hotel, com muito sono. Em Helsinki, 26 de Outubro de 2007 ----- Eis a resenha de Contardo Calligaris do livro Infiel: Folha de S. Paulo 25 de outubro de 2007
CONTARDO CALLIGARIS
"Infiel'
-------------------------------------------------------------------------- A tolerância não impede de reconhecer e recusar a diferença quando ela é inimiga de nossos valores --------------------------------------------------------------------------
A COMPANHIA das Letras acaba de publicar a autobiografia de Ayaan Hirsi Ali, "Infiel - A História de Uma Mulher que Desafiou o Islã".
Hirsi Ali nasceu na Somália (país muçulmano) em 1969, viveu o horror da guerra civil e da luta entre clãs que levaram o país da pobreza à miséria, passou partes da infância e da adolescência na Arábia Saudita e no Quênia e, enfim, adulta, fugiu para o Ocidente. Na Holanda, ela se tornou cidadã e, logo depois, foi eleita deputada. Pela sua história e pela coragem de suas palavras, ela continua sendo alvo de um fanatismo assassino.
O livro, além de tocante, é imprescindível para quem queira, hoje, perguntar: "Vigia, como está a noite?".
As primeiras 300 páginas tratam da progressiva metamorfose de Ali: uma menina definida pela sua ascendência e pela obediência aos homens e ao Alcorão se transforma numa jovem pessoa atormentada por dúvidas sobre sua fé e pela vontade de escutar seus sentimentos e de escolher livremente seus objetos de amor.
Essas páginas deveriam estar nas bibliografias de introdução à antropologia cultural: elas explicam perfeitamente quem somos nós, ocidentais. Na história da jovem somali, a oposição à autoridade tradicional do clã e do texto sagrado não está nos grandes textos do Ocidente -está nos romances.
Fragilidade e grandeza de nossa cultura: a liberdade do indivíduo moderno é, antes de mais nada, liberdade de amar e de romancear o amor. "Romeu e Julieta" e Barbara Cartland nos definem melhor do que "O Contrato Social".
Li as últimas 200 páginas do livro na noite de sábado, sem parar, madrugada adentro. Nelas, Ali, ao contar as peripécias de sua vida na Holanda, expõe sua crítica do Islã.
Depois de 11 de setembro de 2001, talvez você tenha lido "Choque de Civilizações?", de Samuel Huntington, e, como eu, tenha resistido à idéia de que o terceiro milênio seja destinado a encenar um conflito cultural sangrento entre o Ocidente e o Islã. Talvez você, como eu, sem examinar de perto os textos e os fatos, tenha se juntado ao coro da tolerância e à visão otimista do Islã paz-e-amor, convencido de que aceitar a diferença seja (como é, de fato) uma prerrogativa crucial e gloriosa de nossa cultura.
Só a tolerância -você pode ter pensado, como eu- permitirá a integração que confirmará a humanidade comum de todos, realizando o sonho ocidental moderno. Pois bem, Ali pensa diferente.
Para ela, o fundamentalismo e o terrorismo islâmicos de hoje não se fundam numa distorção do Islã, eles estão inscritos na letra do Alcorão e do Hadith. Só será possível evitar um embate frontal se o mundo islâmico passar por uma revolução interna comparável com a que sacudiu o cristianismo no começo da modernidade, quando o indivíduo (com sua liberdade e seu foro íntimo) se tornou um valor bem mais importante do que a instituição e o texto religiosos.
Portanto, para Ali, sobretudo nos lugares de maior fricção entre o Islã e o Ocidente, como na Europa, a estratégia de uma convivência possível não passa pela simples tolerância, mas pela exigência ativa de uma integração dos imigrantes na cultura para onde se mudaram ou fugiram. Essa exigência inclui a capacidade de recusar a diferença quando ela for inimiga de nossos valores.
Não há espaço, no Ocidente, para a submissão das mulheres, o ostracismo das minorias sexuais, o poder patriarcal indiscriminado e, sobretudo, não há espaço para a confusão entre religião e Estado de direito.
Theo Van Gogh, holandês, dirigiu um documentário, escrito por Ali, sobre a submissão da mulher no Islã. Ele foi assassinado e degolado por um fundamentalista islâmico, que cravou no peito de sua vítima uma mensagem para Ali, perguntando se ela estava disposta a morrer por suas idéias como ele, o assassino, estava pronto a se sacrificar pelas suas.
É um argumento freqüente nos comunicados exaltados dos terroristas: o Ocidente estaria fadado a desaparecer porque preza a vida do indivíduo.
Ora, Van Gogh, diante de seu assassino, antes de ser morto, perguntou: "Será que a gente não pode conversar?". O assassino deve ter pensado que se tratava de mais uma demonstração da fraqueza e da covardia ocidentais. Ele se enganou. Era a maior demonstração de fé nos valores do Ocidente e, portanto, de força.
----- http://veja.abril.com.br/220605/entrevista.html VEJA, Edição 1910 . 22 de junho de 2005 Entrevista: Ayaan Hirsi Ali "O Islã é fascista" Ameaçada de morte por fanáticos, a política holandesa diz que qualquer sociedade que vive sob os preceitos do Corão se torna patológica
"Em teoria, nada diferencia um fanático cristão ou judeu de um fanático muçulmano. Na prática, eles se sentem mais à vontade no Islã" Após descarregar toda a munição da pistola no cineasta Theo van Gogh, o fundamentalista islâmico Mohammed Bouyeri aproximou-se da vítima. Ajoelhado numa rua de Amsterdã, Van Gogh murmurou: "Tem certeza de que não podemos conversar?". O assassino cortou-lhe a jugular com uma faca de açougueiro e, com outra, espetou no cadáver uma carta endereçada à holandesa de origem somali Ayaan Hirsi Ali: "A próxima será você". Ayaan é parlamentar em seu país e roteirista de Submissão – Parte I, o curta-metragem de Van Gogh sobre a repressão sofrida pelas mulheres no Islã. Esse é um assunto que ela conhece bem. Aos 5 anos, sofreu excisão do clitóris. Aos 22, fugiu de um casamento arranjado com o primo pelo pai. Refugiada na Holanda, trabalhou como tradutora nos centros sociais para imigrantes e foi brilhante universitária de ciências políticas. Na semana passada, sete meses depois da ameaça de morte, Ayaan, uma negra longilínea de 35 anos, desceu de um carro blindado numa ruela de Paris. Escoltada por seis guarda-costas, falou com exclusividade a VEJA sobre sua renúncia ao islamismo, sobre fundamentalismo e sobre seu encontro com outra célebre vítima da violência religiosa, o escritor britânico Salman Rushdie (tema da reportagem especial desta edição). Veja – Por que seus inimigos preferem a ameaça de morte ao debate de idéias? Ayaan – A razão é simples: eles não têm nenhum argumento lógico para opor aos meus. Usam o instrumento dos perdedores, a intimidação. Num debate, eles sabem de antemão que seriam derrotados. O assassinato bárbaro de Theo van Gogh pretendeu mostrar o fim de quem ousa criticar o Islã. Enganaram-se. A dor da perda reforçou minha certeza. Essa gente deve ser confrontada. A tarefa dispensa o medo da controvérsia. O combate contra eles começa com a palavra. Veja – Qual é o problema com o Islã? Ayaan – O problema é o Corão e o profeta Maomé. É a mensagem à qual está sujeito 1,2 bilhão de indivíduos no mundo. O Islã não é só uma religião, mas uma civilização. Seu aspecto político e social, regido por códigos severos, contém sementes fascistas. É um sistema que espolia as liberdades do indivíduo e intervém na sua privacidade sem admitir ser contestado. Nenhum muçulmano é livre para questionar a sua crença religiosa. Ao contrário da Bíblia e do Talmude, livros sagrados dos monoteísmos abraâmicos semelhantes ao islamismo, qualquer exegese do Corão é inadmissível. Os muçulmanos devem crer, cegamente. Eu aprendi a decorar o Corão desde a infância, posso recitar suras inteiras. Algumas delas servem para justificar a violência, liberar a consciência dos seus autores e também dos observadores passivos. Segundo o livro sagrado do islamismo, os fiéis devem aspirar, em permanência, ao conhecimento. O mesmo livro diz que Alá sabe tudo. Toda fonte de conhecimento está contida no Corão. Pergunto, como conciliar as duas exigências? Qualquer comunidade que vive segundo os preceitos de Maomé e do Corão torna-se patológica. Veja – Numa entrevista, a senhora qualificou o profeta Maomé de tirano e perverso. Por que pensa assim? Ayaan – Disse isso e não nego, nem me arrependo. O calendário marca o ano de 2005, mas os fundamentalistas islâmicos exigem dos muçulmanos imitação perfeita de um comportamento tribal de 2.000 anos atrás. Maomé, o guia infalível, disse haver uma só verdade, e em seu nome revogou toda liberdade. Era um tirano, sim. Maomé seduziu e violou Zainab, a mulher de um pupilo. Isso não é perverso? Permita-me ir além. O profeta casou-se com Aisha, uma menina de 9 anos, filha do seu melhor amigo. Ele não esperou nem a criança atingir a puberdade, apesar da súplica paterna, para pedir a sua mão em casamento. Aisha foi prometida aos 6 anos de idade. Hoje no Irã, casamentos desse tipo são perfeitamente legais, freqüentes. Alguns muçulmanos reivindicam poder emular, sem entraves, esse modelo de moralidade. Trata-se de pedofilia pura. Na Holanda, Maomé seria levado pela polícia às barras de um tribunal. Veja – Qual a diferença entre os fundamentalistas das diversas religiões? Ayaan – Em teoria, nada diferencia um fanático cristão ou judeu de um fanático muçulmano. Na prática, eles se sentem mais à vontade no Islã. Veja – Por quê? Ayaan – Além de encontrar justificativa religiosa farta, a crítica dos membros de sua própria crença é quase nula. Quando o papa se posiciona contra o uso de contraceptivos, católicos do mundo inteiro contestam sem sofrer represálias. A cantora Madonna desperta antipatia em puritanos com a canção Like a Prayer, mas sua cabeça não está a prêmio. Ninguém degolou os humoristas do Monty Python por ter realizado o filme A Vida de Brian, uma sátira sobre Jesus Cristo exibida no mundo todo. Esse espaço de tolerância não existe no mapa do Islã, mesmo que muito almejado em silêncio. O Islã está como o pai do terrorista Mohamed Atta depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Traumatizado, desamparado, cego. "Meu filho não tem nada a ver com isso. Foi obra da CIA, dos judeus!" O pai não se deu conta da parte maléfica do filho. Recuso que uma religião, outrora pacífica, plena de força e energia, tenha no seu âmago o fanatismo e a violência. Veja – Como a senhora descreve a situação das mulheres no Islã? Ayaan – Numa cena do curta-metragem Submissão – Parte I, a câmera mostra o corpo da personagem Zainab, espancada pelo marido. Zainab está coberta por hematomas, feridas, cicatrizes e pelos versos do Corão que autorizam o marido a bater, caso ele julgue a esposa desobediente. Os fundamentalistas islâmicos ficaram irados ao ver os versos sagrados escritos no corpo de uma mulher. O resto, para eles, é normal. Tive um professor que me obrigava a escrever versos do Corão em tabulários. Um hábito em desuso desde o século XVI. Um dia, recusei-me a obedecer. Ele me vendou os olhos, levei uma surra até conseguir me livrar da venda. Encolerizado, ele me pegou pelos cabelos e bateu minha cabeça contra um muro. Desmaiei. Veja – Como a platéia não religiosa respondeu ao filme? Ayaan – De forma positiva, mas eu esperava uma dose maior de indignação dos liberais laicos, intelectuais e políticos da esquerda. O pessoal que acha ter o monopólio dos bons sentimentos. Na verdade, eles padecem do velho paradoxo da Revolução Francesa, que promoveu os direitos humanos em casa, mas manteve a escravidão nas colônias. Em nome da convivência multicultural, do respeito às tradições de outrem, esses intelectuais do Ocidente hesitam em colocar em evidência a situação subjugada da mulher dentro do Islã. Eles têm receio de ofender, de suscitar cólera, e assim ajudam a perpetuar o sofrimento e a injustiça. Ora, aqui não cabem relativismos. Abuso e mutilação sexual são crimes, e ponto final. Hoje, agora, já! Tampouco deve ser tolerado o assédio, a perseguição da qual são vítimas os homossexuais muçulmanos. Os ocidentais não podem fazer vista grossa nem calar, como já fizeram durante a existência dos gulags soviéticos. O Islã não viveu o Iluminismo. As sociedades islâmicas enfrentam os mesmos problemas do cristianismo anterior ao século XVIII. Ainda não se estabeleceu o justo equilíbrio entre razão e religião. Veja – O que é a "obsessão do hímen", uma expressão que a senhora utiliza com freqüência? Ayaan – No Islã, moças sem hímen intacto são consideradas "objetos usados". Muitas jovens, ao perder a virgindade, vêm para a Europa submeter-se a cirurgias reparatórias. Na Holanda, até bem pouco tempo atrás, em respeito ao multiculturalismo as imigrantes muçulmanas eram reembolsadas pela seguridade social. Aos 5 anos, fui submetida à clitorectomia, uma prática encorajada pelos clérigos islâmicos. Essa é a maneira extrema de garantir a virgindade antes do casamento. Na falta de uma mulher disponível, a minha excisão foi feita por um homem. Relatórios da ONU revelam que 98% das meninas na Somália são submetidas à excisão do clitóris. Os outros 2% são a margem de erro. Veja – Pode haver convivência pacifica entre o Islã e o Ocidente? Ayaan – Espero que sim. No entanto, posso afirmar sem equívoco, o Islã atual é incompatível com o estado de direito das democracias ocidentais. A sobrevivência das democracias ocidentais depende da sua vitalidade em defender os valores liberais. A escolha que o século XXI oferece aos muçulmanos é clara: modernidade ou regime tribal. Eu proponho às comunidades islâmicas fazer uma reflexão crítica da sua doutrina religiosa, a exemplo dos fiéis de todas as grandes religiões. Se dizem que é preciso rezar cinco vezes ao dia, vamos demonstrar, empiricamente, que isso é impraticável no âmbito de uma vida moderna. Eu proponho às comunidades islâmicas reter a espada que corta a cabeça de quem pensa por si mesmo. Onde não se pode criticar, todos os elogios são suspeitos. Caso eu estivesse num país muçulmano, já estaria morta. É do interesse tanto do mundo ocidental quanto do mundo islâmico promover a crítica entre os muçulmanos. Enfrentar o fundamentalismo é um objetivo comum. Veja – Como foi seu encontro com o escritor britânico Salman Rushdie, que também teve de viver escondido por causa de ameaças religiosas? Ayaan – Trocamos impressões sobre a vida cativa. Ela coloca em risco pessoas próximas e, devido a isso, inibe até iniciar relacionamentos amorosos. Ele me aconselhou a seguir firme em frente, sem deixar que essa situação me enlouqueça. Ambos sabemos que haverá sempre um fanático em nosso encalço. Eu relatei a ele uma história da minha juventude. Quando o aiatolá Khomeini emitiu um fatwa contra Rushdie, eu era uma estudante devota da Escola Secundária de Meninas Muçulmanas de Nairóbi, no Quênia. Eu e minhas colegas ficamos, imediatamente, solidárias com o líder iraniano que tomava a defesa do sagrado Corão e punia o autor de um romance, suposta blasfêmia contra o profeta Maomé, nosso venerável guia. O fato vinha corroborar nosso aprendizado diário, a indignidade dos kafirs, os infiéis, os não muçulmanos. A primeira coisa que veio a minha cabeça foi: "Esse Rushdie deve ser morto". Veja – O que ele disse? Ayaan – Rushdie sorriu. Foi gentil ao lembrar que, na época, eu era apenas uma garota. Veja – Por que a senhora propõe fechar as escolas muçulmanas na Holanda? Ayaan – Os professores das escolas muçulmanas holandesas ensinam a ser hostil às leis do país. Dizem aos seus alunos: "Nós vivemos na terra do inimigo, somos subjugados pelas leis dele. A lei suprema é a vontade de Alá, revelada pelo arcanjo Gabriel a Maomé, transcrita no Corão". Esses estabelecimentos de ensino público recebem ajuda do governo. Não, não e não! A escola deve ser um lugar neutro, com o objetivo de preparar os alunos para a vida numa sociedade sintonizada com seu tempo, fundada no espírito crítico e no ensino da cidadania. Os holandeses, que vivem em um dos países mais tolerantes da Europa, ficam exasperados de ver, em manifestações de rua, jovens muçulmanos holandeses gritando "Hamas, Hamas! Judeus para a câmara de gás!". Veja – A Turquia deve ser aceita como integrante da União Européia? Ayaan – Sim, desde que o governo turco implemente, durante o período de candidatura, as medidas exigidas pela União. Elas beneficiarão os turcos em geral e, em particular, as mulheres muçulmanas, que terão seus direitos mais bem respaldados. Já se percebem alguns passos tímidos nessa direção. A questão geográfica, se a Turquia pertence ou não à Europa, é hipócrita. Por trás dela estão o preconceito da extrema direita nacionalista européia e o medo da competição de mercado que atormenta os partidos da esquerda demagógica. A objeção geográfica nunca foi apresentada quando convidaram a Turquia para ingressar na Otan. Negar a inclusão da Turquia reforçaria a posição dos fundamentalistas muçulmanos turcos. Trava-se atualmente uma batalha de corações e mentes contra o islamismo político. Veja os efeitos catastróficos da tortura a que soldados americanos submeteram os prisioneiros iraquianos da penitenciária de Abu Ghraib. Os fundamentalistas acharam ótimo. Veja – Líderes das comunidades muçulmanas européias a acusam de projetar uma experiência de vida traumática sobre um grupo inteiro. Aceita essa crítica? Ayaan – Isso é uma estratégia conhecida para desviar-se da verdadeira questão: o Islã quer ir para a frente ou para trás? Veja – A senhora abandonou a sua religião, tornou-se apóstata. Mas, se um dia encontrasse com Deus, o que gostaria de ouvir dele? Ayaan – Você é verdadeira. October 25 O quarto dia da viagem: 25 de OutubroDormi bem, de ontem para hoje, se bem que sob o efeito dos brasileiríssimos comprimidos verde-amarelos do Benegrip. Uma bênção, como diria um colega meu de Seminário: Evandro. Hoje já espirrei bastante, saí numa temperatura bem fria, mas pareço estar melhor. Fui dormir antes da meia-noite, acordei por volta as 7 da manhã -- com o dia ainda escuro. Na realidade, são 11 da manhã, agora, e o dia continua escuro, embora tenha clareado um pouco. Nada de sol, por enquanto. Perguntei à Concierge que hora o sol sairia, porque queria tirar umas fotos... A cara dela não foi muito otimista... Olhou para fora, torceu o nariz, e disse que poderia nem haver sol hoje... Se houver, disse ela, quem sabe por volta do meio-dia, ou, talvez, 13h. Tomei um café da manhã bom, ao meu gosto. Café, leite, sucos, bastante variedade de pães, queijos, geléias, etc. Nada do que a gente encontra nos breakfasts dos hotéis orientais: sopa, salada, peixes, frango, etc. Aquecido pelo café com leite quente, coloquei uma malha, um casaco, um boné, luvas e saí para a rua. A temperatura estava 2 graus quando saí, 5 graus quando voltei. Frio seco -- felizmente sem muito vento. Minha primeira impressão da cidade, nesta quinta-feira de manhã, foi: "Where have all the people gone?" Pouca gente nas ruas. É verdade que a temperatura fria, o dia sem sol, tudo isso torna pouco atraente a perspectiva de sair para bater perna. Na rua, fica aquela impressão de uma cidade de prédios bonitos mas que é "gray and brown", cinza e marrom, sem cores vivas, na verdade, sem muita vida. Assim como a cara do Kimi Räikkönen. O Kimi é um cara de feições bonitas -- mas sem muita expressão. Ganhou o campeonato mundial de Formula 1 -- mas poderia ter perdido: a expressão provavelmente seria a mesma. Nada dos gritos desesperados de desabafos de um Ayrton Senna ao ganhar um dos Grand Prix do Brasil, no passado, quando terminou apenas com a sexta marcha. Nada de exagero com Kimi Räikkönen: win or lose, a expressão é a mesma. Minha primeira impressão de Helsinki é a de uma cidade bonita, em termos de geografia e arquitetura, mas não muito expressiva. Quanto à arquitetura, há lugares em que você tem a impressão de que está em Paris, ou Viena, ou Praga: os prédios são bonitos, as ruas são bonitas... Mas falta expressão, falta alegria, falta vida. No ano passado, mais ou menos nesta mesma época, quando viajava pela Europa com a Sueli, observei, no meu blog (http://edwardkeys.spaces.live.com), que cidades, como pessoas, têm personalidade. Paris e Praga são cidades alegres. Genebra é uma cidade séria, circunspecta. Helsinki, pelo que pude ver até agora, é uma cidade triste, melancólica, taciturna, sorumbática, macambúzia. Sei que haverá quem diga que me precipito: afinal de contas, mal cheguei aqui. Até certo ponto, isso é verdade. Mas confio muito nas minhas primeiras impressões. Andei pelas ruas por cerca de 75 minutos. Passei manteiga de cacau nos lábios, para que não se ressequem, e fui em frente. Interessante que não tenha precisado assoar o nariz nem uma vez nesse tempo. Quem sabe o frio congelou o que teria de ser removido com uma boa assoada de nariz. Passei num supermercado e numa casa de bebidas. No supermercado aqui não se vendem bebidas alcoólicas mais fortes: só cerveja e bebidas de baixo teor alcoólico (refrescos gaseificados à base de vodka, por exemplo). Para comprar vinho e bebidas mais fortes, só numa casa especializada devidamente autorizada. Achei uma e comprei uma garrafa de vinho (Periquita - 6.93 Euros) e um frasco de brandy (Napoleon - 6.99 Euros) para ajudar combater o frio. Em Portugal comprei o mesmo vinho por 4.95 Euros. Agora estou de volta ao quarto -- que não foi arrumado ainda, apesar de ter colocado a plaquinha pedindo que fosse arrumado. Quando a mulher vier, descerei para a recepção. Vou trabalhar na minha fala do dia 30, cujo título é "Change, Innovation and Accountability". Estou abusando do direito de deixar para a última hora a preparação dela. Mas venho pensando no assunto e fazendo algumas anotações... Antes de terminar, não posso deixar de registrar aqui minha inveja por não estar na primeira viagem do A380 da Airbus sob a bandeira de uma companhia de aviação, a Singapore Airlines... Volto a escrever mais tarde. Estou de volta. Desci até o lobby para tomar uma xícara de café e comer uma torta de maçã enquanto a camareira limpa meu quarto. Esse será o meu almoço. A camareira, surpreendentemente, é moça nova, bonita e parece ser finlandesa -- e, por cima, fala inglês perfeito. Em geral camareiras são "guest workers" e quase não falam Inglês. A torta de maça estava excelente -- mas custa carinho: 4,50 Euros o pedaço. A xícara de café, 2,00 Euros. Agora (13h30) vou tirar uma soneca, porque ninguém é de ferro. Não fazer nada também cansa... :-) Saí para tirar umas fotos, que coloquei aqui neste space, em dois albuns. O hotel é na zona do porto. Um dos navios enormes que fotografei (o da Viking Line) está ancorado a não mais de 50 metros do hotel. O Sandic Grand Marina (que pertence ao Hilton) era uma warehouse (armazem) no porto. Foi transformado em hotel e, recentemente, modernizado. Les Foltos, meu amigo, vai ficar num outro hotel aqui perto que era uma antiga prisão, que também foi transformada em hotel. Andei um pouco e achei o Mercado da cidade, que é um prédio lindo, por fora e por dentro. Fotografei o prédio por fora, apenas, porque muitas vezes o pessoal que tem comércio lá dentro não gosta que turistas fiquem tirando fotos de suas instalações. Mas por dentro é muito lindo, tudo muito organizado. Há lojinhas de queijos, de frios (charcouteries), de carnes, de pães (boulangeries), de vinhos, etc. Há várias sandwicherias, lugar para se sentar, etc. Hoje à noite vou sair jantar com meu amigo David Walddon e mais uma pessoa que não conheço. Vamos a um restaurante chamado Lappi (http://www.lappires.com/). Pelo jeito é especializado em carne de renas. Como o David é especialista em comidas (tem uma coluna num jornal de Seattle), tenho certeza de que vai ser bom. Ele tem um site sobre comida, em http://www.vastrepast.com (mas não parece estar funcionando direito hoje). Mais tarde eu volto com um relato da comida no Lappi. Acabei de chegar de volta. Acabamos indo num outro restaurante, porque o Lappi só tinha reserva para depois das 20h30. Fomos no Savotta Finish Restaurant. É muito interessante, estilo local, com decorações de madeira rústica. Comi carne de rena e salsicha de alce como prato principal e, como entrada, uns peixes crus com salada. Tudo muito saboroso e sofisticado. Amanhã tiro uma fotos da entrada do restaurante. Agora vou dormir. Felizmente estou melhor do resfriado. Em Helsinki, 25 de Outubro de 2007 October 24 O terceiro dia da viagem: 24 de OutubroEstou aqui na sala VIP da Lufthansa desde cerca de 6 horas da manhã. O meu vôo para Helsinki só sai às 14h30. Agora são 8h. Ainda tenho tempo para matar -- ou para aproveitar, dependendo de como se encare a questão. Estou resfriadíssimo. Minha viagem de Chicago até Frankfurt foi uma das piores viagens de avião que já fiz -- por conta do resfriado, não por conta de qualquer problema com o avião. O vôo em si foi muito bom: saiu na hora, chegou na hora, a comida estava boa -- que mais se pode esperar? O problema era eu: não conseguia dormir porque meu nariz ficava tapado e eu não conseguia respirar com a poltrona reclinada. Na realidade, o que estava tapado não era meu nariz: era minha narina esquerda (que continua tapada até agora). Comprei em Chicago um remédio para gripe, mas não é tão bom quanto o Benegrip (que, infelizmente, está na mala despachada...). Ouço um nenê chorar. É raro ver nenês em salas VIP de aeroporto. Mas essa referência me fez lembrar de quando levamos (Sueli e eu) o Gabriel (meu neto mais velho) conosco em uma viagem pelos Estados Unidos, que culminou no Disney World. Quando da viagem ele tinha cinco anos. A viagem havia sido prometida cerca de dois anos e meio antes para quando ele fizesse cinco anos. Ele queria, porém, que a viagem acontecesse quando ele fizesse três anos... Insistimos nos cinco anos e ele se conformou. Mas quando fez cinco, não nos deu sossego. Antes de irmos, o Gabriel me perguntou se eu iria levar meu notebook. Disse que sim. Ele então me informou que também levaria o seu -- um notebook de brinquedo, cheio de sons, músicas, joguinhos, etc. Levou. Nas salas VIP da United ele tirava o bendito notebook da mochila e brincava com ele o tempo todo. Uma graça. Às vezes pedia que ditássemos cartas para sua mãe e seu pai. Quando, porém, ditávamos algo de que ele não gostava, recusava-se a escrever (fazer de conta que estava escrevendo). Isso aconteceu quando "contei" à sua mãe (através da carta que ele "digitava") que, na noite anterior, quando jantávamos no Ponderosa, ele havia uma vez mais derrubado a Coca-Cola. Imediatamente apertou a tecla Backspace várias vezes para "apagar" o que havia acabado de escrever. Já li a Folha de S. Paulo e as minhas mensagens de hoje. Nada que mereça comentário. Mais tarde escrevo mais. Agora já estou no hotel em Helsinki: the Scandic Grand Marina Hotel. Cheguei no horário, sem problema. Já era noite, não deu para ver quase nada. O aeroporto é pequeno, a cidade é pequena. O hotel é estilo europeu, minimalista. É um prédio antigo remodelado, mas não tem as "amenities" que os grandes hotéis de cadeia oferecem, especialmente na Ásia. Amanhã vou rodar um pouco pelo centro e, à noite, vou jantar com uns amigos. Agora estou podre de cansado. Em Helsinki, 24 de Outubro de 2007. O segundo dia da viagem: 23 de OutubroO segundo dia da minha viagem foi relativamente curto, em termos absolutos. Cheguei a Chicago na terça-feira, dia 23 de Outubro, às 5h da manhã. No Brasil, já eram 8h. Em Frankfurt, já era meio-dia. Agora estou no avião da United que me leva de Chicago a Frankfurt. Meu relógio, que tem "dual time", já está no horário de Frankfurt e marca 0h15. Logo, já estou no dia 24, quarta-feira, dia em que chegarei a Helsinki. O meu dia 23, pelo horário de Frankfurt, durou menos de 24 horas... Já jantei e estou pronto para escrever. Apesar de ser já depois da meia-noite, horário de Frankfurt, ainda estou pelo horário de Chicago, sete horas atrás: 17h... Na pior hipótese, estaria pelo horário de São Paulo, em que são 20h. Logo, não há porque estar com sono, apesar das várias taças de bom vinho francês que tomei. Hoje (horário de Frankfurt, 24 de Outubro) é o que em que minha avó paterna nasceu. Não sei o ano -- mas foi no século XIX, visto que meu pai, que não era o filho mais velho, nasceu em 1912. É uma vergonha eu não saber o ano em que ela nasceu. Convivi pouco com ela. Sabia que se chamava Alvina Jacintha de Oliveira Chaves, e que se casou com o meu avô, Carlos Gonçalves Chaves, o "Calico", comerciante de Patrocínio, MG. Não sei nem se minha avó nasceu em Patrocínio. Na verdade, não sei se meu avô, na realidade, nasceu lá. Só sei que tenho uma foto de uma casa de comércio, que ficava numa das esquinas da Praça da Matriz, com o nome "Casa do Calico". Uma vez, na década de 50, meu pai escreveu uma crônica para o programa de rádio "Tempos que não Voltam Mais", da Rádio Tupi de São Paulo, em que rememorava a sua infância. Falava dos jogos de futebol na praça da Matriz -- em que a bola era de meia... Meus netos Gabriel e Marcelo que, entre eles, têm umas vinte bolas de borracha ou de couro, sofisticadas, nunca conseguirão entender o que era o futebol jogado com bola de meia. Que pobreza a daquele tempo. Eu mesmo, que tive minha infância há bem mais de 50 anos, me lembro de ter ganho uma bola bonita, vermelha com umas estrelas brancas, quando fiz três anos, em 7 de Setembro de 1946. Naquele meu aniversário, meus avós maternos, Juca e Gina (José de Campos e Angelina Claro Godoy de Campos) foram nos visitar em Marialva, no Paraná -- pela primeira e última vez. Levaram o que me pareceu então uma multidão de presentes. Na realidade, não deve ter sido mais do que uns três ou quatro. Pareciam muitos, então. Comparados com os que meus netos ganham hoje, eram uma ninharia. Lembro-me da bola, de uma piorra com faixas coloridas e que fazia um som lindo, e de uma caixinha de materiais de construção chamada de não sei o quê do Engenheiro. Ainda são fabricados até hoje -- creio que com o mesmo nome. Voltando ao assunto, nunca joguei com bola de meia. Além das de borracha, como a que me levaram meus avós, vim a ter uma de couro -- chamada na época de capotão. Era número três -- longe de ser do tamanho oficial. Ganhei-a preenchendo um album de figurinhas de futebol em 1952. Comprava os envelopinhos e trocava as repetidas. No final, só ficou me faltando a figurinha 234, a última, carimbadíssima, da CBD (Confederação Brasileira de Desportos, antecedente da CBF de hoje). Para minha surpresa, meu pai a comprou para mim de um colega que se dispôs a vendê-la. Com isso preenchi o album e ganhei a referida bola de capotão número três. Não gostava de jogar com ela para que não se estragasse, ficando arranhada... Que diferença da década dos anos dez para a década dos anos cinqúenta, e desta para a década dos zeros do século XXI... Este ano, no dia 11 de Outubro, há treze dias, meu pai teria feito 95 anos, se estivesse vivo. Morreu em 5 de Março de 1991. Mais cinco anos e estaria celebrando seu centenário, como o fez, recentemente, a mãe do Caetano e da Bethânia. Já rememorei demais. Paro aqui. No final deste dia de hoje (hora de Frankfurt) registrarei o que se passou daqui para a frente. Então já estarei em Helsinki, Deo volente (Deus querendo), como dizem os que crêem. Parafraseando o Chico, em Gente Humilde, eu que não creio espero que ele queira... No alto, em algum lugar sobre o Atlântico, 23 de Outubro de 2007 (no horário do Brasil) October 23 O primeiro dia da viagem: 22 de OutubroSaí ontem (22/10/2007) de Campinas, fui para São Paulo e, à noite, vim para Chicago, onde estou no momento. Daqui umas três horas saio para Frankfurt, de onde finalmente vou para Helsinki. Curioso que tenha saído de São Paulo para a Finlândia exatamente um dia depois de Kimi Räikkönen haver se tornado o terceiro finlandês a ganhar o campeonato mundial de Formula 1 (o primeiro foi Keke Rosberg, que ganhou uma vez, e o segundo foi Mika Hakkinen, que ganhou duas vezes). Agora a pequena Finlândia está empatada com o enorme Brasil em número de pilotos que já ganharam o prestigioso campeonato: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Só que os finlandeses têm quatro campeonatos no total e o Brasil tem oito -- o dobro. Estava com tanta expectiva de gozar o frio finlandês que acabei ficando resfriado antes de chegar lá. Hoje já comprei uns comprimidos anti-gripais aqui no Terminal 1 do Aeroporto de Chicago. Espero que mandem o resfriado para o espaço. A viagem até aqui foi boa, sem maiores percalços, a não ser um atraso de 45 minutos na saída de Cumbica. Não dá pra reclamar: um atraso desses hoje em dia no Brasil quase não conta como atraso. Mas que dá vergonha ouvir o piloto dizer que o atraso se deve ao fato de que o aeroporto está funcionando apenas com uma pista, na qual se aterrisa e da qual se decola, isso dá. Até amanhã, quando escreverei ou de Frankfurt ou já de Hensinki. A propósito, no ano passado, neste dia 23 de Outubro, estava em Paris com a Sueli. O dia amanheceu fechado, ameaçando chuva. Passeamos por Les Invalides, pela Tour Eiffel, pelo Palais de Chaillot, pelo Trocadero, almoçamos no Restaurant L'Alsace, na Champs Elysées, fomos ao Arc du Triomphe -- e, daí, pegamos chuva pesada e resolvemos voltar de lá para o hotel. Saudade daquela viagem memorável, cujo registro pode ser lido em http://edwardkeys.spaces.live.com. Em Chicago, 23 de Outubro de 2007 |
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